
" Olhe para a luz. Olhe para o interior."
Era inverno. A neblina se estendia por toda parte, enfeitando os montes daquela floresta fria. A cidade estava completamente vazia, o ar enfadonho anoitecia em cada canto das casas. Cidadezinha do norte. Cidade pequena. Os moradores dali não saiam de suas casas até que amanhecesse. Ninguém era capaz de enfrentar o escuro do temido Conde Louis.
Era 1999, pessoas quase perfeitas e uma cidade encantadora. Tudo estava em ordem, não faltava nada ali. Até que um dia todos se surpreenderam com o advento de um homem com má aparência. Olhos estreitos, barba cumprida e branca feito neve; rosto enrugado e andar desengonçado. Assim que aquele estranho chegara na cidade, despacharam-no. Mas ele recusou ir embora. Recusou outra vez...E na ultima vez que negou, diz a lenda que este homem jogou um feitiço sob a luz. Assim que o sol se fora, a noite era escura e sombria, onde todos pertenciam à ele. Pertenciam ao Conde Louis.

Em um belo dia ensolarado, as ruas estavam floridas e cheia de pessoas caminhando apressadas ao retorno de seus lares. Os sorrisos encontrados pela manhã logo se fora. A luz apagou e as ruas se prenderam à
melancolia. Não havia claridade ali, o sol levou até a cantoria dos pássaros contentes. Todos ainda estavam amedrontados com a antiga lenda, e não escutava um passo sequer quando o relógio da praça tocava. Há não ser os passos do Conde Louis. E era assim todos os dias desde aquela época.
Na rua 13, havia uma casa de madeira bem tranquila. Vivia uma família com apenas uma criança. Esta criança por ser bem gordinha e míope sofria muitas humilhações dos moradores daquela vila. Ele não tinha amigos e os pais da criança trabalhavam o dia todo. Mas ele não tinha medo de nada, nunca acreditou no que diziam sobre ele mesmo, e principalmente nunca acreditou no homem que todos temiam. Seu sonho era poder ver as estrelas, ele nunca tinha visto uma estrela. Somente nos livros que encontrara no porão. Um dia pensou em vê-las e quando o relógio da praça tocou; todos dormindo, o rapazinho encontrou a chave do portão no vaso de flor. E silenciosamente, abriu a fechadura. Correndo em direção ao lago, pela primeira vez ele viu um aerólito incandescente no céu.

Maravilhado com aquilo correu em direção à sua casa para mostrar para seus pais, quando de repente tropeça em um homem. Vendo aquele homem cheio de cicatrizes e olhos estreitos, com uma faca na mão...
-Tio, já viu a estrela cadente? olhe como todas estas estrelas estão iluminando o lago!
O Conde surpreendido, e um tanto assustado com a reação do garoto, logo em seguida exprimiu gaguejando:
-Ora criança desconhecida, nunca ouviste a lenda? saía já daqui! ou devo ter que...
-Irá fazer o que Luizinho?
-Veja esta faca em minha mão garoto, não olha para as consequências?
-è meu veio, to vendo esse pão na sua mão esquerda também.
-Espere...Não tens medo de mim?
-Porque teria medo de um bom velhinho?
-Negativo garoto, estas cicatrizes que carrego em meu rosto não mostram que sou bom.
-hum...estas cicatrizes são apenas vestígios de ferida. Mas o seu sorriso disfarçado mostra que é um bom velhinho. E além do mais, carrega biscoitos recheados no bolso... que fome!
-Garoto, você lembra minha infância. Quando tomava chocolate quente e derramei sobre meu rosto, E à partir disso tudo mudou. Principalmente quando cheguei à esta cidade achando que iria ter amigos após a morte de minha família. Mas a minha aparência importou mais aqui.
- Veja estas estrelas. Seu brilho reflete mais que seu próprio formato, quadradas ou circulares a verdadeira importância é a luz dela.
-Mas as pessoas da vila não pensam assim, por isso desliguei os refletores. Esperei anos alguém vir falar comigo sob a escuridão e todos estes anos minha companhia é... este biscoito recheado!
-Conde, acabei de ter uma ideia açucarada até demais!
E assim a criança e o conde fizeram um cartaz na praça central. Era madrugada, quando os postes empoeirados acenderam e o relógio bateu. Todas as pessoas acordaram assustadas e emocionadas com o cartaz que dizia;
" Olhe para a luz. Olhe para o interior.
-Conde Louis"
À partir deste dia, a luz acendia em todas as noites. Conde Louis passou à ser chamado de Luizinho e virou eletricista. O garoto criou um grupo de astronomia na vila, mas não esquece de todos os dias ir a casa de Luizinho comer biscoitos recheados. E o mais importante; as pessoas daquela vila deixaram todos os julgamentos para traz. Sendo branco, verde, preto, amarelo, gordinho, magrinho, alto, baixinho. Afinal, todos nós somos esqueletos. De carne e Osso. E no fim iremos para o mesmo lugar. O que mais importa é realmente o interior. e você? não julgue. Ilumine-se.
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