segunda-feira, 3 de abril de 2017

Rivais no futebol e parceiros na vida


Mãe, irmãos e namorados que vivem em harmonia apesar da paixão por times adversários

                Os estudantes Gabriel e Matheus Ventura, de 22 anos, são gêmeos e têm uma paixão em comum: o futebol. Tanto é que costumam ir juntos ao estádio para assistir às partidas. Poucos conseguem identificá-los a não ser por um detalhe: Matheus torce pelo Botafogo, enquanto Gabriel, um minuto mais velho do que o irmão, é fanático pelo flamengo. “Eu nasci pra ser rubro negro”, afirmou Gabriel, único da família que não é Botafoguense.
                A paixão por futebol foi estimulada pelo pai dos gêmeos que os inscrevia para entrar ao lado dos jogadores quando o Botafogo ou o Flamengo jogavam em Brasília. “Nós tínhamos por volta de seis anos e quando o Botafogo jogava, eu entrava em campo e o Gabriel ficava sozinho na arquibancada”, contou Matheus, rindo.
                Já quando o jogo era do Flamengo, Matheus, o botafoguense, ia para a arquibancada e Gabriel seguia para o campo. Até hoje, os irmãos acompanham um ao outro quando o time do coração vai jogar. “Eu vou com ele no estádio quando o Flamengo joga, mas eu torço contra”, brincou Matheus. “Quando é Flamengo e Botafogo, a gente não senta junto, e apesar de tirar sarro um do outro, nunca brigamos por um jogo”, ressaltou Gabriel.
                A ironia acompanha o destino dos gêmeos. O flamenguista Gabriel namora uma botafoguense e o irmão Matheus, torcedor fanático do Botafogo, tem uma namorada rubro-negro. Eles garantem que o amor supera as diferenças no campo e também no campeonato brasileiro.

Galo tricolor  
                Na família costureira Joana D’Arc dos Santos, de 62 anos, não é diferente. O amor pelo Atlético Mineiro não se estendeu aos filhos Daniel, 32 anos, e Marco Paulo, 30 anos, torcedores do São Paulo. Apesar de times opostos, a paixão pelo futebol é uma só. A matriarca se encantou pelo Atlético ainda adolescente quando assistiu uma partida do time em Belo Horizonte.
 “A cidade virava uma festa quando o meu time jogava contra o Cruzeiro e o Atlético sempre ganhava”, contou Joana D’Arc.
                Anos depois, em 1979, ela foi para a Grécia em busca de oportunidades de emprego. Lá, o time campeão era o Panathinaikos.  Nos sete anos que morou na Grécia, a dona de casa não abandonou o Atlético. Mas, por outro lado, não conseguiu transferir a paixão pelo Galo aos filhos Marco Paulo e Daniel, ambos nascidos na Grécia.
“Quando chegamos a Brasília, só se falava no São Paulo e eu o escolhi em 1993, quando foi o campeão da Libertadores da América”, contou Marco Paulo Dos Santos.

Torcida mista
                Na família dos três irmãos brasilienses Lucas Carneiro, de 19 anos, Natã, 26, e Kalleby, de 21, a casa também é dividida. O irmão mais velho, Natã vibra pelo Corinthians, enquanto Kalleby é torcedor do São Paulo e o caçula Lucas torce pelo Cruzeiro.
“Meu pai é cruzeirense e quando ele chegava na sala, eu também era. Quando ele saía e o Natã entrava, eu torcia pelo Corinthians”, comentou  Lucas, soltando uma gargalhada. “Foi amor à primeira vista. E como a gente não manda no coração, mês que vem, vou me casar com uma flamenguista”, brincou Kalleby, que acha que a rivalidade no campo não afeta o amor que sente pela namorada.

                Para a psicóloga do esporte Kelen Dantas, o jogo de futebol é tanto um estímulo de alegria como uma forma de ser aceito em um grupo, apesar de as pessoas terem conflitos entre perdas e ganhos. “O ser humano precisa viver em comunidade, em determinado meio social e o futebol proporciona essa integração”, afirmou a psicóloga, lembrando que a escolha do time pode sofrer as mais diversas influências: familiar, pessoas que se admira e também pelas vitórias momentâneas.

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