
Mãe, irmãos e namorados que vivem em harmonia
apesar da paixão por times adversários
Os estudantes Gabriel e Matheus
Ventura, de 22 anos, são gêmeos e têm uma paixão em comum: o futebol. Tanto é
que costumam ir juntos ao estádio para assistir às partidas. Poucos conseguem
identificá-los a não ser por um detalhe: Matheus torce pelo Botafogo, enquanto
Gabriel, um minuto mais velho do que o irmão, é fanático pelo flamengo. “Eu
nasci pra ser rubro negro”, afirmou Gabriel, único da família que não é
Botafoguense.
A paixão por futebol foi
estimulada pelo pai dos gêmeos que os inscrevia para entrar ao lado dos
jogadores quando o Botafogo ou o Flamengo jogavam em Brasília. “Nós tínhamos
por volta de seis anos e quando o Botafogo jogava, eu entrava em campo e o
Gabriel ficava sozinho na arquibancada”, contou Matheus, rindo.
Já quando o jogo era do Flamengo,
Matheus, o botafoguense, ia para a arquibancada e Gabriel seguia para o campo.
Até hoje, os irmãos acompanham um ao outro quando o time do coração vai jogar.
“Eu vou com ele no estádio quando o Flamengo joga, mas eu torço contra”,
brincou Matheus. “Quando é Flamengo e Botafogo, a gente não senta junto, e
apesar de tirar sarro um do outro, nunca brigamos por um jogo”, ressaltou
Gabriel.
A ironia acompanha o destino dos
gêmeos. O flamenguista Gabriel namora uma botafoguense e o irmão Matheus,
torcedor fanático do Botafogo, tem uma namorada rubro-negro. Eles garantem que
o amor supera as diferenças no campo e também no campeonato brasileiro.
Galo tricolor
Na família costureira Joana
D’Arc dos Santos, de 62 anos, não é diferente. O amor pelo Atlético Mineiro não
se estendeu aos filhos Daniel, 32 anos, e Marco Paulo, 30 anos, torcedores do
São Paulo. Apesar de times opostos, a paixão pelo futebol é uma só. A matriarca
se encantou pelo Atlético ainda adolescente quando assistiu uma partida do time
em Belo Horizonte.
“A cidade virava uma festa quando o meu time jogava contra o Cruzeiro e o Atlético sempre ganhava”, contou Joana D’Arc.
Anos depois, em 1979, ela foi para a Grécia em busca de oportunidades de emprego. Lá, o time campeão era o Panathinaikos. Nos sete anos que morou na Grécia, a dona de casa não abandonou o Atlético. Mas, por outro lado, não conseguiu transferir a paixão pelo Galo aos filhos Marco Paulo e Daniel, ambos nascidos na Grécia.
“Quando chegamos a Brasília, só se falava no São Paulo e eu o escolhi em 1993, quando foi o campeão da Libertadores da América”, contou Marco Paulo Dos Santos.
“A cidade virava uma festa quando o meu time jogava contra o Cruzeiro e o Atlético sempre ganhava”, contou Joana D’Arc.
Anos depois, em 1979, ela foi para a Grécia em busca de oportunidades de emprego. Lá, o time campeão era o Panathinaikos. Nos sete anos que morou na Grécia, a dona de casa não abandonou o Atlético. Mas, por outro lado, não conseguiu transferir a paixão pelo Galo aos filhos Marco Paulo e Daniel, ambos nascidos na Grécia.
“Quando chegamos a Brasília, só se falava no São Paulo e eu o escolhi em 1993, quando foi o campeão da Libertadores da América”, contou Marco Paulo Dos Santos.
Torcida mista
Na família dos três irmãos
brasilienses Lucas Carneiro, de 19 anos, Natã, 26, e Kalleby, de 21, a casa
também é dividida. O irmão mais velho, Natã vibra pelo Corinthians, enquanto
Kalleby é torcedor do São Paulo e o caçula Lucas torce pelo Cruzeiro.
“Meu pai é cruzeirense e quando
ele chegava na sala, eu também era. Quando ele saía e o Natã entrava, eu torcia
pelo Corinthians”, comentou Lucas,
soltando uma gargalhada. “Foi amor à primeira vista. E como a gente não manda
no coração, mês que vem, vou me casar com uma flamenguista”, brincou Kalleby,
que acha que a rivalidade no campo não afeta o amor que sente pela namorada.
Para a psicóloga do esporte
Kelen Dantas, o jogo de futebol é tanto um estímulo de alegria como uma forma
de ser aceito em um grupo, apesar de as pessoas terem conflitos entre perdas e
ganhos. “O ser humano precisa viver em comunidade, em determinado meio social e
o futebol proporciona essa integração”, afirmou a psicóloga, lembrando que a
escolha do time pode sofrer as mais diversas influências: familiar, pessoas que
se admira e também pelas vitórias momentâneas.