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sábado, 23 de novembro de 2019

Soneto I


Guardei o bloco na gaveta.
Seu parceiro, a caneta, está solitária no canto da mesa.
Isso, porque a flor murchou, o pássaro se calou
e as palavras foram esquecidas.

A nuvem se esgotou por eu não me molhar na chuva,
O trem não mais passou para me trazer nostalgia.
Isso, porque guardei o bloco na gaveta
e as palavras foram esquecidas.

A vida e a escrita cruzam a mesma avenida,
ou Quintana não estaria tão vivo
sendo o poeta das coisas simples.

Poesia é vida e ela não teria sentido
sem o zumbido do vento em meu ouvido
e o eco desesperador de um bloco na gaveta.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Esquecimento


Palavras que vão embora.
É o cérebro colecionando
memórias.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Porta aberta


Acordo de madrugada
encantada com a estrada
iluminada pelas portas
não tão fechadas.

Não há muros para tampar
a luz de dentro
dos corações.

Quero morar aqui pra sempre
na memória.

Quero guardar cada história
das portas.

Vou atropelar o desfecho
e escrever o meu enredo.
Me deste esse desejo,
de arcar com as conclusões.

Porque há mais de mil razões
para recapitular o primeiro verso
de um poema.

Ou a carta alinhada à respiração
de estar vivendo o meu sonho
desde então.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Das paisagens que me lembram você

Toronto, CA
Vô, seu sorriso brilha na minha memória
como a aurora do lugar que te disse que eu viria.
Sei que os ultimos dias foram dificeis vovô
Tu esqueceras que eu passaria
alguns meses longe de você 
Mas disse pra vó juntar dinheiro
e na sua melhoria, viajar pra praia.
O que eu queria agora era ver o teu sorriso outra vez
Sei que estou longe. Tu estas longe também.
Mas eu te alcançarei.
Tua força naqueles dias cinzas,
me inspira à viver.
O que eu desejo da vida é essa tua alegria
enquanto os motivos não ajudam
porque tu estavas sempre à sorrir
e eu, a te seguir.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Muro


Conheço o mundo
como um cubo.
Faces que se interligam,
frases que não se bicam.
Vejo o mundo
como o refúgio
de gente diferente,
pensamentos convergentes.
Mas o mundo é um tudo
tão vazio e inibido.
Tem de se procurar
um outro fundo
Para enfim,
Poder escalar
os muros.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Folhas de outono


Vou-me embora atrás
do desenho que fiz
na infância.
Corro atrás
das lembranças
que imaginei
possuir um dia.
Escrevo contos
vivo pombos
criei asas para ir
rumo aos sonhos.
Mas da janela
vejo o sol
que mira as
folhinhas de outono,
caídas de encontro
ao mesmo sol 
que eu já vi 
imaginando estar aqui.
Deixe-me ir
é tudo tão real,
viver sonhos
no sentido literal.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Roça


Eu gosto de carro velho. 
De fotografar folhas caídas no chão, 
do que as árvores erguidas sobre a terra. 
Gosto do som da chuva que embaça o vidro do carro, 
de dedos que tentam enxugá-los. 
Fotografo o lugar onde moro, 
tão afastado de todos onde há tudo. 
Mas não trocaria o horizonte do cerrado. 
Gosto mais do som de pássaros
do que a música que os homens inventaram. 
Minha câmera mira na casa do joão-de-barro.
 Eu gosto do som que o vento faz, 
mais assustador que qualquer filme de terror. 
Esqueço a câmera quando vejo uma estrela no céu, 
talvez seja essa a intenção delas.
Nunca serem gravadas. 
Para que, no outro dia, 
não queiramos vê-las pela tevê,
mas na moda antiga,
ao vivo.

domingo, 10 de maio de 2015

Nascer de novo


Que tristeza repentina,
não sabes nem o por quê.
Penso nas coisas mal resolvidas
dá-me vontade de viver.
Essa tristeza me dá agonia,
mas não tira a minha sina
que é viver.
Aflição surge de dia, 
mas a noite vejo-me à crer
em um novo dia.
Sabe que acordo depressa,
nessa vontade de escorrer
as lágrimas pelos olhos
porque os limpam
e me fazem ver
melhor.
Não tenho dó,
da tristeza de amanhã
nem dos prantos e rancor
tudo isso é com todo o povo
eu jogo fora,
e nasço de novo. 

domingo, 15 de março de 2015

A escolha


De todos os meus defeitos,
de todos os meus erros
Você me escolheu.
Em cada gota de água que cai do céu,
em cada folha nas árvores
que enfeitam os montes bem maiores do que eu,
Você me escolheu.
E desde esse dia, quanto eu vacilei.
Para um ser humano como eu,
paciência mais não tinha.
Mas você me escolheu.
No meu mundo cor-de-rosa
que ninguém compreendia
você o coloriu
das cores que eu não via,
Você me escolheu.
Na tristeza do dia-a-dia,
em noites de alma aflita
De manhã, você me escolheu.
Eu escolho, todos os dias
escolher quem me escolheu
O verdadeiro amor vem de Deus.

sábado, 14 de março de 2015

A poesia da sua vida


Eu lembro do seu óculos fundo de garrafa dos anos 90 
e daquela sua barba de papai noel em pleno fevereiro.

Lembro da sua risada quando tudo ia mal
e dos dias em que o mundo desabava
e você continuava a não chorar com nada.

E hoje, quando o vi pela primeira vez,
com seus seus olhos cheio d'água
recordei de tudo o que me cercava
sobre você.

Com você, eu aprendi a ser feliz sem me preocupar,
Você dizia isso antes mesmo do Bob Marley.

Você me ensinou a comer pão de queijo quente,
dando uns murros nele pra esfriar.

Era mais que um jeito mineiro, era você.

Eu nunca havia visto você doente,
como dizia, homem não chora.
Nem põe casaco no frio.
Nem passava perigo.

Era mais que um jeitinho brasileiro, era você.

Você não tinha ouro, nem andava de colar.
Era a mesma blusa o ano inteiro,
mas tinha tanta vaca leiteira. 
Mas não estava nem aí para dinheiro,
a felicidade acrescentava mais.

Sua risada é inesquecível,
mesmo que a dentadura tenha caído.
Mas você não estava nem aí pra isso,
ficava feliz em fazer o outro rir ainda mais.

Mesmo na luta, você ri.
Mesmo no choro, você sorri.

E na saudade, você não deixa de estar aqui.
Pois quando voltar, sei que trará de volta
todas essas lembranças que significam
você.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Hoje


Ultimamente é a palavra que escolhi
para falar dos dias que eu vivi.
Ultimamente colecionei palavras pelos cantos das ruas.
Tão modernas que fazem bolhas de sabão
por onde a chuva passa.
Eu só quero dizer
que mais e mais
não dá para notar
se não for ultimamente.
Porque a vida vive no presente
deixa de se preocupar descontente
com coisa lá de fora
coisa que passou, foi embora.
Não corre atrás não,
o passado deu espaço
para viver o agora. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Há o que sentir


Me perguntaram como era a felicidade. 

Respondi que eu não podia vê-la. 

Logo pensaram que ela poderia não existir. 

Mas que bobagem! deixe-me concluir.

Alguns pesquisam tanto que acabam não encontrando. 

Quanto esforço pra nada! Só sinta. É no sentir. 

A gente não pode ver, nem ao menos deduzir. 

Tampouco escrever no próprio querer. 

A felicidade tem um dono e não é você.

São tantas filosofias e frases do dia, que esquecem mesmo do que significa. 

O caminho até a felicidade... Pera lá, não vou filosofar...

Uma palavra melhor: O modo de chegar até ela não é do seu jeito ou em seus próprios meios.

Tem um dono, que anseia em te encontrar
quando você o aceitar.

É Jesus. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Oportunidade


A vida te dá investidas,
só pra você notar que uma 
oportunidade se cria.
Nem sempre é como se imagina,
mas é aquilo que te faz viver a vida.
Quem dera se fosse azul.
Mas se for verde, eu procuro a cor amarela
e crio meu mundo azul.
Mais tarde eu vejo que não era bem o que planejei.
Mas que sorte é inventar felicidade
onde não tem.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Porque rir faz bem


Eu gosto de pessoas que riem.
Daquelas que quebram o silêncio com uma risada
e não se importam com o som mais ou menos que transportam.
Mais ainda de quem ri de qualquer coisa,
e não se importa do que vão pensar de sua bobagem.
Gosto de quem ri alto, 
de quem ignora o conceito socialmente correto de rir baixo.
Admiro quem ri de seu fracasso, 
de quem não se importa do tamanho de seu desastre.
Ri e Recomeça.
Amo quem faz os outros rirem. 
Mesmo na tristeza, quanta alegria uma risada pode transmitir.
Gosto daqueles que notam a única risada que cada um tem, 
e ainda riem da risada engraçada que o outro fez.
Gosto de quem disfarça sua timidez com uma risada.
Também de quem não se envergonha de rir agora.

domingo, 1 de junho de 2014

Escrever


Da dor sai poesia.
Da vida, palavras nítidas no embaraço que se finda. 
Da alegria há sempre uma escrita.
Da saudade, eu encontro liberdade na carta que releio.
diria que belo apreço as palavras carregam em cada texto.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O esconderijo da humildade


Do que vale o que é concreto se nos afasta do que está perto...
e nada pode ser visto quando a proeminência do ser está em alto nível.
Valor não há se a humildade não constar nas linhas da vida, 
em cada esquina, até quando o azar o acompanhar.

Em formas de gratidão poderá cantar as tristezas e compartilhar as perdas. 
E trará o brilho do ganho quando resgatar a simplicidade
nessas linhas da vida, um dia embaraçadas
outro dia encarregadas de retribuir alegria...

Pois a vida, esta rápida vida, é mais do que o mero capital
e o pouco poder que o ser acha que tem
no suspiro da vida já se perde tudo que tem.

Mas ficará na herança e na memória de quem o conheceu,
que a felicidade é construída no simples caminho que se tem.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Amor


Um dia quis saber o que é o amor.
Procurei no mundo e achei a paixão,
só me trouxe solidão...
Colecionei decepção.

Mas algo me dizia para não desistir
e pude sentir que o melhor estava por vir.
Caí em prantos quando vi que o tal "amor" tinha um fim.

Mas amor não é para se definir em poucos versos...
Eu não o vi, mas pude sentir.
E não, não tem fim.

O amor especial que se findou antes
mesmo de eu nascer,
me senti pequena, porém segura
e mais do que feliz
quando vi que este tão grande amor 
me escolheu para amar.

Não olhou para meu passado,
não questionou meus atos.
Eu posso sentir e isso é mais do que falar
sobre um amor incomparável e infinito.

É o amor que Deus tem por mim.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Azáfama


Aonde está a inspiração de cada dia,
atrasados e ocupados
nessa agonia
do tempo passar.
de ficar pra trás,
perder para o tempo que passa depressa demais.
Já não vejo a aurora,
A vista embaça no desfecho do agora.
O que seria a última coisa a fazer
já que a vida passa tão depressa
sem dar chance para perceber 
o que havia em nós de receber
da vida
que voa,
e que fica.



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