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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um pé de mexerica

Virando na curva onde o vento parou,  encontrei um casal de velhinhos segurando uma mala pequena.Observei que a mulher pedia carona para os carros que os cruzavam, mas ninguém os dava atenção.

O vento parou sob o meu rosto e o coração me fez pisar no freio. Eu os convidei para entrar, dizendo onde eu morava e a senhora logo retribuiu um sorriso por ser praticamente minha vizinha. 

Conversa vai e vem, e o assunto não sai de um senhor que morava na ultima chácara da rua. Tentei recordar quem poderia ser este homem admirado pelo casal.

Ele vendia leite e espalhava mexericas pela vizinhança. Um homem bom, que a senhorinha não hesitava em sorrir outra vez ao lembrar dos tempos que ela e seu "veio" saíam juntos atrás do leite das vacas do seu Mário.  

Parei por um minuto e completei: eu sou neta dele. 

Deixei o casal em casa e saí pelo caminho estreito de terra que separava a nossa residência. Por coincidência, era o caminho no qual eu e o "seu Mário" saíamos para cavalgar. Me lembrei da ultima vez em que eu estive aqui, com o Atos e meu avô, descascando mexericas.

São simples coisas na vida e esse pé de tangerina está crescendo a cada dia, vovô.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

As estações que eu escrevo

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  Toda forma de pensamento é uma escrita. Tem dias que se transforma em poesia - o coração saltita enquanto a mão desliza sob a caneta enferrujada. Há dias que é preferível esconder o sentimento e cantarolar uma prosa, ou descrever a alma em um simples bloco de notas.

  Qual o sentido de um verso sem sentimentos? Logo, se transforma em folha de outono que se despedaça ao vento. Deixe, ao menos, a folha seca se despedaçar dentro de ti. Se ninguém sabe o que pensas ou sequer não se importam, deixe de engano ao achar que o vento lá fora vai te retornar a mesma folha.

  O que importa é o que está aí dentro de ti... Não irás conseguir agradar as quatro estações. Mas tua caneta cairá sob a neve e mesmo assim, não congelará tua mão. Tuas palavras brotarão flores que cantam fora da estufa. O verão vai chegar e te iluminarás para que escreva uma próxima coleção de estações - dentro de ti.

domingo, 27 de setembro de 2015

Artificio

A espécie humana é algum tipo de estrela que se perdeu em um planeta (onde acreditamos ser o único que sustenta vidas) tentando iluminar quando a escuridão chega. E é inevitável ignora-la, ela vem todo dia, mais cedo em alguns lugares e tardia em outros cantos da terra. Mas o pior da espécie humana é um artificio chamado de razão, a única espécie que tens o poder de pensar o pensamento. Alguns dizem que isso a faz da mais inteligente dentre os animais. 

Eles crescem com o dote que alguns denominam de QI, o mais intrigante é a competição indevida de quem nasceu ou desenvolveu mais desse artificio. Os que tem um nível elevado, por vezes o coração para de funcionar. E os que são considerados rebaixados, alcançam degrais que seriam impossiveis de acordo com a razão. 

Embora tenham criado e solucionado infinitos artificios de pai para filho, nenhum ser humano conseguiu criar um artificio que domine a felicidade. Ela chega de mansinho e ninguém sabe de onde vem, de repente ela resolve ir embora sem deixar satisfação. Isto faz pensar que a única função do ser humano é criar tantos artificios, mas não. A felicidade não está em coisas ou pessoas, encontra-se além de nossos pensamentos. Olhe para o alto e a verá.

sábado, 23 de maio de 2015

Pausa para sonho(s)

  

  Recortei uns papéis coloridos para grudar em um objeto que estava esquecido no meu quarto. Era um presente que ganhei há quatro anos atrás, mas nunca encontrei uma função boa o bastante para ele... é um metal comprido e cheio de galhinhos. Disseram-me que é um porta-joias. Mas estes galhinhos de metal fizeram-me dar à ele uma nova função: Arvore dos Sonhos. Não pense que a ideia é minha, embora eu tenha quebrado a cabeça com a teoria funcionalista. È que vi em um Vlog que uma amiga (super fã dessas coisas) estava me mostrando. Na verdade, só prestei atenção naquela árvore. A garota do video estava contando que realizou um sonho daquela árvore, veio-me a solução ao porta-joias sem joias, e que talvez eu deveria jogar fora os sonhos rabiscados em papéis um pouco amassados sobre a escrivaninha e recoloca-los como... Joias. Pensei em todos os sonhos que realizei, mas quando pus-me à escrever os meus desejos, surgiram mais sonhos que os galhinhos puderam suportar. Comecei à pendura-los com barbante, um segurando o outro. Mas percebi que acabou ficando mais bagunçado que a minha mesa cheia dos papéis amassados levemente. 

  Mas afinal, meus sonhos são como jóias. Impossível para amadores... Mas lúcido à um sonhador. São tantos eu confesso, disseram-me que eu deveria eliminar alguns. Risquei da lista a mera chuva de sorvete, mas de resto... Guardei todos. E olha, os livros dizem que sonhos só são sonhos quando não são realizados. Mas nunca se pode dizer que sonhos só são sonhos. Quando uma meta é idealizada na mente, mas difícil de alcançar, os técnicos desistem porque sabem que não vai se realizar um dia. Mas um sonhador não desiste porque pensa que um dia poderá se realizar, na verdade, não desistimos porque sabe-se que sonhos alimentam outros sonhos. Não tive aquela chuva dos meus sonhos, mas tenho um freezer que congela bons sorvetes em minha casa. 

  Sonhos nunca morrem. Eles evoluem... Cresci escrevendo coisas improváveis achando que a realidade aceitaria. Mas no fim, aceitou. Aceitou porque eu cresci e os meus sonhos evoluíram. Não acredite no que racionais algum dia vão lhe dizer, o sonho é teu. Regue-os para transbordarem em pequenos galhos da vida. Eles vão crescer junto com ela. 

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