quarta-feira, 11 de novembro de 2015

As estações que eu escrevo

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  Toda forma de pensamento é uma escrita. Tem dias que se transforma em poesia - o coração saltita enquanto a mão desliza sob a caneta enferrujada. Há dias que é preferível esconder o sentimento e cantarolar uma prosa, ou descrever a alma em um simples bloco de notas.

  Qual o sentido de um verso sem sentimentos? Logo, se transforma em folha de outono que se despedaça ao vento. Deixe, ao menos, a folha seca se despedaçar dentro de ti. Se ninguém sabe o que pensas ou sequer não se importam, deixe de engano ao achar que o vento lá fora vai te retornar a mesma folha.

  O que importa é o que está aí dentro de ti... Não irás conseguir agradar as quatro estações. Mas tua caneta cairá sob a neve e mesmo assim, não congelará tua mão. Tuas palavras brotarão flores que cantam fora da estufa. O verão vai chegar e te iluminarás para que escreva uma próxima coleção de estações - dentro de ti.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Look outside


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Since humans know they are Homo Sapiens and have to live with routine and rules, a dream is  created in the mind to find a new horizon. Unfortunately, no one has yet created a device to change life by just closing our eyes - to live a new experience requires an effort and specially courage

  A blond girl was sitting in the station waiting for the next subway to return to her homestay.  Her  face was not the same as the first day she arrived in Canada, she was upset about something, while her mind was probably on her country. She said to herself some words that I couldn’t understand, but it seemed  the main problem wasn’t only homesickness. The race between the dollar and the real (currency of Brazil) was being lost by the Brazilians, and she was thinking about the job she had resigned from...

  A thing to think about is the financial situation to make one trip possible, the dreams we have during the night hide this point. But the good side of being able to dream is the ability to create ways to pursue one’s own wishes. Consider the story of a Brazilian couple, Sarah Moreira and Renato Matiolli, who in 2014 bought a boat to travel the world making on board money just with roomers, and by teaching classes on aquatic sports and diving. Or even the Dutch brothers who travelled the world making T-shirts with their creative brand  in exchange for shelter and food. Such a good idea, eh?

  The blond girl from Brazil chose Toronto to study for a while. She jumped up from the seat and walked out of the station. She looked outside and saw the people walking, some slowly and others, faster. But she looked to herself and realize that she forgot in a second that life was in front of her waiting for been enjoyed. Like a fairy tale or as a drama movie... we can write the way as we want to the reality. So, those problems will be details that we can find a way to fix up.
  However, dreams can be crazy sometimes and to realize them needs a little bit of reality. That brings some problems. But when we want, everything can be possible. Look outside.

domingo, 27 de setembro de 2015

Artificio

A espécie humana é algum tipo de estrela que se perdeu em um planeta (onde acreditamos ser o único que sustenta vidas) tentando iluminar quando a escuridão chega. E é inevitável ignora-la, ela vem todo dia, mais cedo em alguns lugares e tardia em outros cantos da terra. Mas o pior da espécie humana é um artificio chamado de razão, a única espécie que tens o poder de pensar o pensamento. Alguns dizem que isso a faz da mais inteligente dentre os animais. 

Eles crescem com o dote que alguns denominam de QI, o mais intrigante é a competição indevida de quem nasceu ou desenvolveu mais desse artificio. Os que tem um nível elevado, por vezes o coração para de funcionar. E os que são considerados rebaixados, alcançam degrais que seriam impossiveis de acordo com a razão. 

Embora tenham criado e solucionado infinitos artificios de pai para filho, nenhum ser humano conseguiu criar um artificio que domine a felicidade. Ela chega de mansinho e ninguém sabe de onde vem, de repente ela resolve ir embora sem deixar satisfação. Isto faz pensar que a única função do ser humano é criar tantos artificios, mas não. A felicidade não está em coisas ou pessoas, encontra-se além de nossos pensamentos. Olhe para o alto e a verá.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Porta aberta


Acordo de madrugada
encantada com a estrada
iluminada pelas portas
não tão fechadas.

Não há muros para tampar
a luz de dentro
dos corações.

Quero morar aqui pra sempre
na memória.

Quero guardar cada história
das portas.

Vou atropelar o desfecho
e escrever o meu enredo.
Me deste esse desejo,
de arcar com as conclusões.

Porque há mais de mil razões
para recapitular o primeiro verso
de um poema.

Ou a carta alinhada à respiração
de estar vivendo o meu sonho
desde então.

The cultural experiences of international students in Toronto


They feel they are travelling the world inside the city and the common question in mind might be “Where is a real Canadian?"


 65 countries in the world have English as a first language, and almost 25% of international students in Canada study in Toronto. Either in the subway, in their homestay or walking on the street, many ESL students seem confused about what they thought was a Canadian citizen.

 At first, learning English isn’t just an activity to learn another language, but a kind of soup in which the ingredients are accents, registers, dialects, cultures and backgrounds. The maple leaf is hidden inside of each star that fell onto Canadian soil.  As Antoine de Saint-Exupery said, “The stars are beautiful because of a flower that cannot be seen”. Toronto can amaze anyone who comes to experience Canadian culture and suddenly finds herself in a similar situation to the little prince visiting different planets.

 The first experience students get when arriving in Toronto is at their homestay. They take off their shoes and enter a house in which there usually lives a Canadian with a background originating abroad. Poutine is usually eaten elsewhere, brunch is a western dish for some students and a fish from the Indian Ocean for others. The main point is how complex it is to describe the culture from the capital of Ontario. Research in 2011 says that, after English (an official language in Canada), the language with the second-highest number is Mandarin Chinese with 86,000 first-language speakers. Italian, Spanish, Tagalog, Tamil, Portuguese and Russian all come before the other official language (French, with 32,665).

 Cultural experience does not default when the issue is studying in an ESL school, especially in Toronto. The way to school seems fast, even if a student lives in Kennedy or McCowan. Camila Cavalcante, an Advertising student from Brazil, said that it was a different and a weird kind of experience for her when she got on the subway for the first time and heard a confusion of languages. While, for Fernanda Serafin, the reason for her choosing Toronto was because it is a metropolitan city.

 Chinatown, Little India, Koreatown, Greektown, Little Italy and all the international festivals in the summer impress tourists and shelter the cultures of those real Canadians with international backgrounds.

 "The word is 'Aunt'", said a woman to a Mexican student on the subway while she was asking her friend, "How can I say, 'tia'?" I couldn't contain myself and asked the woman, "Are you from Brazil?" but she was from Portugal. Actually, her family is Portuguese. She is a "real Canadian".

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Das paisagens que me lembram você

Toronto, CA
Vô, seu sorriso brilha na minha memória
como a aurora do lugar que te disse que eu viria.
Sei que os ultimos dias foram dificeis vovô
Tu esqueceras que eu passaria
alguns meses longe de você 
Mas disse pra vó juntar dinheiro
e na sua melhoria, viajar pra praia.
O que eu queria agora era ver o teu sorriso outra vez
Sei que estou longe. Tu estas longe também.
Mas eu te alcançarei.
Tua força naqueles dias cinzas,
me inspira à viver.
O que eu desejo da vida é essa tua alegria
enquanto os motivos não ajudam
porque tu estavas sempre à sorrir
e eu, a te seguir.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Muro


Conheço o mundo
como um cubo.
Faces que se interligam,
frases que não se bicam.
Vejo o mundo
como o refúgio
de gente diferente,
pensamentos convergentes.
Mas o mundo é um tudo
tão vazio e inibido.
Tem de se procurar
um outro fundo
Para enfim,
Poder escalar
os muros.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Enquanto o Mario sorri...

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Meu poeta preferido é o Mario. Foi um pioneiro na poesia falada, de roça, cantada em festinhas infantis. Como o Quintana, o Mario Ribeiro era fã da simplicidade. Resolveu viver a vida em uma casa pequena com um grande quintal. Acordava cedo, e se pudesse já almoçava pela manhã para passar o dia naquela roça que batia de frente à sua janela. Mas, não parava em casa.


Tinha uma arara. Alguns bois e vacas, já teve ovelha. Saia pra cidade para arranjar a comida dos porcos. Era amigo de todo mundo, cumprimentava os moços na esquina. E aquele povo, admirava o tanto que Mario sorria... Se perguntavam,porque o cara da mansão estava sempre de cara fechada, e esse Sr. Mario, rindo atoa. Que vida boa ele tinha. Mas ele tinha os seus problemas, a vida só era boa porque ele era bom. Ele foi inspiração para quem o via em seu espaço que parecia um sertão. Nunca o vi de roupa nova, mas ele se renovava à cada manhã porque aquele sorriso não ia embora.


  Nasceu na roça, em Minas Gerais. Viu televisão pela primeira vez quando foi se alistar. Se impressionou com a tecnologia um pouco ruim para esta geração. Casou com minha vó, teve dois filhos. Mas depois, viraram grandes amigos. Conheceu uma mulher, depois teve mais dois filhos. E de netinhos, teve muitos para ele cantar nas festinhas de aniversário.

Sem diploma de um poeta, sua vida foi uma poesia.

O seu olhar refletia a alma de uma criança, usava palavras mansas e nos abraçava como se aquela fosse a ultima oportunidade de abraçar. Da adversidade, ele transformava em felicidade... Rindo quando não há nenhuma razão. "Tem dó!" era o que ele dizia quando não ligava pra situação. "Você vai aonde?" era o que ele me perguntava quando eu dizia Oi vô.

  Também me ensinou à nunca ter medo do boi da cara preta, só pelo motivo dele cantar a cantiga com a sua típica expressão facial. "Boi, Boi, Boi da cara preta. Pega essa menina que tem medo de careta"; Aquela careta era mesmo é engraçada, não dava medo nenhum.

Ele dizia que ia chover, se por acaso eu acordasse cedo. Sempre fui enrolada, mas quando eu acordava e olhava pela janela, ele sempre estava no mesmo lugar: no banquinho velho do galpão. Ninguém sabia o que ele tanto olhava, mas creio que era bom, porque aquele sorriso não ia embora não.

  O Mario nunca vai ir embora. Quem teve a sorte de o conhecer vai querer um dia aprender como ser feliz com pouco e em como viver a felicidade quando não se tem motivos para isso.
Meu querido vô e amigo,

A poesia da sua vida está registrada em meu coração.
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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Folhas de outono


Vou-me embora atrás
do desenho que fiz
na infância.
Corro atrás
das lembranças
que imaginei
possuir um dia.
Escrevo contos
vivo pombos
criei asas para ir
rumo aos sonhos.
Mas da janela
vejo o sol
que mira as
folhinhas de outono,
caídas de encontro
ao mesmo sol 
que eu já vi 
imaginando estar aqui.
Deixe-me ir
é tudo tão real,
viver sonhos
no sentido literal.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O lar do meu avô


As fotografias registram memórias desde que me entendo por neta do Mário. Foi nessa roça que cresci ouvindo as histórias do vovô. 

Vivíamos aventuras na casa da árvore que ele construiu e pregávamos algumas peças. Me lembro de quando eu e meus primos jogamos todo o milho para as galinhas - elas fizeram a festa, mas o vovô ficou meio bravo porque acabamos com o pacote e as deixamos obesas. 

Palhaço e alegre... Dizemos "oi vô?" e ele sempre responde: "você vai aonde?".


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Quintanares de Mario

Ilustração de Marcos Guilherme 

"Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo..."


  No quarto 217 do Hotel Majestic, JB se impressionara com seu novo quarto que tinha até cozinha. Pois vinha de um quarto bem menor no Hotel Royal. Mesmo assim, o poeta dizia que vivia em si mesmo, ele poderia até não perder as suas coisas ali. Afinal, o espaço ao seu redor não importava. E nem ultrapassaria o grande interior daquele encantador de pássaros. Talvez ele fora um passarinho quando pessoas estavam apenas, passeando.

"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti..."


  Mario Quintana, com o primeiro pseudônimo no jornal da cidade como "JB", era poeta e jornalista mesmo que o pai quisesse um filho doutor. Nasceu em Alegrete (RS) e viveu um bom tempo em Porto Alegre. A infância do poeta mírim não fora tão alegre, porém ele a encontrou na literatura. O seu Celso Quintana contava pra todo mundo que era pai do JB. Mario, sem acento, fora um doutor de palavras que curavam.

"O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!"


  A noite de 30 de julho de 1906 ficou marcada como o nascimento de um ser que no futuro, se tornaria um dos grande Poetas, Jornalistas e tradutores brasileiros do século XX.  Sua primeira poesia foi publicada no Correio do povo - onde mais tarde, trabalhou durante muitos anos de sua vida. Depois de aprender francês e concluir seus estudos, Mario trabalhou em uma livraria mas logo retornou à sua cidade para ajudar na farmácia da família. O ano seguinte fora o ano mais triste para Mario, seus pais morreram. Mas no mesmo ano, ele ganhou a premiação no concurso de contos em um jornal de Porto Alegre e a publicação de seu poema em uma revista carioca. A dona Virginia e o seu Celso se orgulhariam do guri que eles ensinaram à escrever.

"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…"



  Já na década de 40, Quintana é bastante elogiado por intelectuais e recebe uma indicação na Academia Brasileira de Letras, porém perdeu para um ministro. Depois, para o atual presidente da ABL e mais tarde para um bom jornalista, mas que não tinha nem fama de escritor. Fora a maior injustiça da academia, mas quem disse que Mario se importou, pelo menos a sua criatividade não se afundou. E surgiu a bem sucedida resposta ao ocorrido, com o poeminha do contra:

"Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão... Eu passarinho!"

Poderia prolongar as palavras sobre o meu poeta preferido, mas a melhor definição fora escrita por ele mesmo.

 “Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro — o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo — que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras”. (Mario Quintana, 1984)



terça-feira, 2 de junho de 2015

"Ser criança", uma poesia de Laenya Romeiro.


Como é engraçado ser criança, 
crianças morrem de medo do escuro,
e por incrível que pareça, da solidão.
Crianças choram para não dormirem sozinhas,
dão birra para os pais não saírem do quarto 
quando apagam a luz.
Ah, como é bom ser criança!
 E como é assustador descobrir que engraçado é crescer,
 ter que conviver com solidões bem piores 
e partidas que nos deixam tão no escuro 
quanto uma luz apagada no quarto.
Como é luz ser criança,
 daquelas que clareiam a nossa vida 
quando nos deparamos com a solidão diária de 
ter que crescer.

Escrito por Laenya Romeiro, uma publicitária do coração enorme.

É preciso contar e ouvir histórias

Foto - Beatriz Ferreira

  Ana Marize Solino e Thereza Maria Lucciola são contadoras de Histórias em Brasília. Definir apenas um motivo para elas contarem histórias seria impossível, seus objetivos para com o público são muitos. Em uma geração acelerada em que o ouvir se torna cada vez mais difícil, parar e escutar uma história é um momento glorioso. Para Thereza, as crianças e adultos se recordam de lembranças afetivas e se identificam com o personagem, assim como as pessoas se aproximam uma das outras ao ouvir as histórias repletas de lições vida. Ana Marize, assim como Thereza, defende que há necessidade de viver a fantasia. Para ela, se não vivenciarmos a fantasia no momento certo, haverá outros escapes na juventude.

  Em um castelo sombrio, vê-se a luz da fogueira que iluminava os olhos atentos a um ser. Não era uma onça faminta, tampouco uma hiena carnívora querendo se divertir, era um ser de olhos tão grandes e a boca também. Andava pelo jardim, contando assim: Era uma vez, uma garotinha que estava levando leite e pão para sua avó. No caminho pela floresta, um lobo perguntou a ela o seu destino. A garotinha respondera que estava indo à casa da vovó. O lobo chegou na casa primeiro e devorou a avó. Colocou seu sangue em uma garrafa e a carne em um prato, comeu satisfatoriamente e guardou as sobras na despensa. Vestiu a camisola da senhora e deitou-se, quando a garotinha entra na casa, o lobo diz para ela se alimentar com vinho e carne que estão na despensa. A garota comeu, e jogou suas roupas na lareira quando disse: Como a senhora é peluda vovó. O lobo retornou, é para te esquentar. Que unhas grandes a senhora tem. È para me coçar. Que dentes grandes a senhora tem. É para te devorar.

  O castelo era um café em Brasília, a luz provinha de lâmpadas no teto. Os olhos atentos eram de uma estudante de jornalismo, que curiosamente perguntou a primeira versão da história de Chapéuzinho Vermelho por Charles Perrault. O ser era uma talentosa contadora de histórias que nasceu na capital do país,  começou os seus primeiros trabalhos contando histórias para crianças na biblioteca da escola em que trabalhava como professora. Formada em Letras pela UniCEUB (centro universitário de Brasília) e especialista em psicopedagogia. A contadora de histórias é Ana Marize Solino. Ana é um nome hebraico que significa cheia de graça. Marize vem do Latim e significa: proveniente de marte. È uma devida explicação para histórias que fazem rir, e inevitavelmente, transportam a imaginação para outro planeta. 

  Díspar da versão dos irmãos Grimm sobre a história de chapéuzinho vermelho, o conto de Perrault pode ser assustador. Mas desde os séculos passados, os contos de fadas carregam um sentido moral, assim como a fábula. Expressões que são utilizadas em dias contemporâneos vieram de épocas distantes. A velha frase da mãe que diz para seu filho não falar com estranhos, remete a uma garota com capuz vermelho que parou seu percurso para falar com um lobo mal. Porém, contos de fadas não são só advertências. A imaginação é explorada sem constrição, os contos fazem sonhar e os contadores fazem sonhadores. 

  Ana Marize adentrou no universo das historias não apenas por façanhas do destino, mas ela conta que o mesmo destino trouxe do Rio de Janeiro para Brasília, a professora Thereza Maria. “Ela (Thereza) hoje está com 75 anos e em 1995, fui fazer uma curso com ela e o grupo Confabulando. Thereza Maria viu o meu potencial e de mais dois amigos, então nós formamos um grupo com o nome: Imaginários”. 

  “A Ana participou da minha oficina para formação de contadores de histórias e eu convidei ela, Tatiana e Damasio para formar um grupo. Formamos o nosso primeiro grupo e a experiência foi maravilhosa” Conta Thereza. O grupo Imaginários se apresentava em feiras, creches e escolas, como também abriam palestras. O grupo se extinguiu, mas Thereza formou outro grupo com crianças e adolescentes depois de imaginários, ela completa 17 anos nesse trabalho. 

  Ana descobriu que se tornou uma contadora de histórias quando por um castigo da diretora na escola em que trabalhava, fez com que ela saísse da sala de aula e fosse para a sala de leitura na biblioteca. Contando histórias, ela resolveu cursar uma oficina nesta área; foi quando, encontrou Thereza Maria contando a sua experiência e formando mais contadores. Thereza veio da casa da leitura, em Botafogo – RJ, onde começou o movimento de cursos para contadores de histórias. A casa da leitura se extinguiu, mas Thereza trouxe a proposta para Brasília.

  A contação de histórias promove o incentivo à leitura, e busca aproximar as crianças com a literatura. Mas Ana Marize ainda acrescenta “se você não mostra de onde veio a tua fonte, vai fugir do objetivo de todo contador de histórias: promover a leitura. Eu quero que a criança ou o adulto que ouça a minha história saiba de onde eu tirei e se ele sentir vontade de ouvir essa história novamente, ele vai saber onde encontrar”. Como contar histórias aproxima os ouvintes da leitura, também busca o exercício da ética. A honestidade em contação de histórias é exercida à cada crédito que um contador transfere aos criadores das histórias, e especialmente, fazem os ouvintes não pararem de ouvir aquele único conto. Despertam a curiosidade de quem está na plateia, para que estes também possam desenvolver outras histórias.

  “Eu trabalho só com a oralidade, não uso Mascara. Nós tentamos resgatar o contador de histórias da antiguidade. Nos primórdios dos tempos, eles usavam somente a palavra e com todo o seu charme, para encantar as pessoas.” Disse Thereza. Ana Marize também afirma que quando se conta uma história é importante olhar nos olhos de quem está ouvindo e trabalhar a expressão do corpo e da voz. Compartilhando a visão de Thereza, a Ana Marize ainda afirma: “Os gestos têm de ser condizentes com a história, não pode ser algo muito espalhafatoso.” Para que assim, o foco esteja nas palavras de quem a diz.

  “Se eu falar sobre a chapéuzinho vermelho, você cria a história. Mas se você ver na televisão, é aquilo e pronto” Disse Thereza, que significa natural de Tera. Maria significa a soberania e pureza. Quem traz a soberania para a terra com histórias que despertam o mais puro olhar de um ser. Mulheres, professoras, contadoras de histórias. Pessoas como elas, como todo ser humano apaixonado por palavras, ensina que a contação de histórias não é único direito de quem as contam, mas os contadores de histórias dão esse direito a quem as ouve também. A imaginação transborda a realidade, a criatividade ousa passear e o coração anda junto com o falar. 

Roça


Eu gosto de carro velho. 
De fotografar folhas caídas no chão, 
do que as árvores erguidas sobre a terra. 
Gosto do som da chuva que embaça o vidro do carro, 
de dedos que tentam enxugá-los. 
Fotografo o lugar onde moro, 
tão afastado de todos onde há tudo. 
Mas não trocaria o horizonte do cerrado. 
Gosto mais do som de pássaros
do que a música que os homens inventaram. 
Minha câmera mira na casa do joão-de-barro.
 Eu gosto do som que o vento faz, 
mais assustador que qualquer filme de terror. 
Esqueço a câmera quando vejo uma estrela no céu, 
talvez seja essa a intenção delas.
Nunca serem gravadas. 
Para que, no outro dia, 
não queiramos vê-las pela tevê,
mas na moda antiga,
ao vivo.

sábado, 23 de maio de 2015

Pausa para sonho(s)

  

  Recortei uns papéis coloridos para grudar em um objeto que estava esquecido no meu quarto. Era um presente que ganhei há quatro anos atrás, mas nunca encontrei uma função boa o bastante para ele... é um metal comprido e cheio de galhinhos. Disseram-me que é um porta-joias. Mas estes galhinhos de metal fizeram-me dar à ele uma nova função: Arvore dos Sonhos. Não pense que a ideia é minha, embora eu tenha quebrado a cabeça com a teoria funcionalista. È que vi em um Vlog que uma amiga (super fã dessas coisas) estava me mostrando. Na verdade, só prestei atenção naquela árvore. A garota do video estava contando que realizou um sonho daquela árvore, veio-me a solução ao porta-joias sem joias, e que talvez eu deveria jogar fora os sonhos rabiscados em papéis um pouco amassados sobre a escrivaninha e recoloca-los como... Joias. Pensei em todos os sonhos que realizei, mas quando pus-me à escrever os meus desejos, surgiram mais sonhos que os galhinhos puderam suportar. Comecei à pendura-los com barbante, um segurando o outro. Mas percebi que acabou ficando mais bagunçado que a minha mesa cheia dos papéis amassados levemente. 

  Mas afinal, meus sonhos são como jóias. Impossível para amadores... Mas lúcido à um sonhador. São tantos eu confesso, disseram-me que eu deveria eliminar alguns. Risquei da lista a mera chuva de sorvete, mas de resto... Guardei todos. E olha, os livros dizem que sonhos só são sonhos quando não são realizados. Mas nunca se pode dizer que sonhos só são sonhos. Quando uma meta é idealizada na mente, mas difícil de alcançar, os técnicos desistem porque sabem que não vai se realizar um dia. Mas um sonhador não desiste porque pensa que um dia poderá se realizar, na verdade, não desistimos porque sabe-se que sonhos alimentam outros sonhos. Não tive aquela chuva dos meus sonhos, mas tenho um freezer que congela bons sorvetes em minha casa. 

  Sonhos nunca morrem. Eles evoluem... Cresci escrevendo coisas improváveis achando que a realidade aceitaria. Mas no fim, aceitou. Aceitou porque eu cresci e os meus sonhos evoluíram. Não acredite no que racionais algum dia vão lhe dizer, o sonho é teu. Regue-os para transbordarem em pequenos galhos da vida. Eles vão crescer junto com ela. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

O dia que fiz 19

  
  No dia 16 de maio (dia do Gari), escrevi em meu diário sobre a minha décima nona primavera. E logo naquele dia, o meu celular não estava funcionando, algo que geralmente acontece quando o iphone já entrou em sua data de validade. Não pude receber ligações, tampouco um ícone de bolo com velhinhas no whats app. E sabe que eu gostei... recebi de perto os desejos de feliz aniversário. Daqueles que vem acompanhado de um longo abraço, e vai embora com um farto sorriso de despedida. Vai embora sim, mas não leva junto as lembranças que ficarão na memória.

  O meu dia foi quase igual aos outros: Verões acrescidos de um frio que só Brasília entende. Eu já estava vendo toda a apresentação da garota do tempo no jornal e pedindo para que ao menos no dia do Gari, faça Sol. Por uma conclusão: sorvete. È, a minha festinha era de sorvete com algumas pipocas. Não me venha com um sermão de que já sou adulta, adoro sorvete. Quem não gosta de sorvete de chiclete? Mas para a alegria de brasilienses acostumados à tirar e por casaco várias vezes por minuto, fez um sol que deu para repetir o sorvete durante o dia inteiro.

  Apesar da minha maça mordida ter pifado no meio da roça, eu nem senti falta da 3g. Depois que vi os sorrisos conectados em um riso que não precisou nem de música ao vivo para não entediar, me esqueci de que havia uma boa quantidade de ligações dos amigos perdidos tentando encontrar aquela roça cheia de sorvete. O som era quase uma orquestra, alguns um pouco desafinados mas cheios de vida. Foi um dia vivo, fez-me pensar que eu não trocaria a prosa por uma mensagem enviada pelo celular, sei que quebra um galho danado, mas prefiro as vozes desafinadas. E não é que a minha vó sempre esteve certa, a tecnologia não cumpre o papel de olhar no olho e apertar firme na mão. Máquinas não podem substituir o olhar ao que está acontecendo ao redor de nós, a visão pode capturar tantas cenas bonitas que nem precisaria dos filtros do instagram. Vó, agora entendo porque a senhora quebrou o seu próprio celular por "acidente".

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ana Marize Solino: "As histórias estão acontecendo o tempo inteiro ao nosso redor"

  
"Homem, pegue o gato que não pegar o rato que não quer roer a corda que não quer laçar o boi que não quer beber a água que não quer apagar o fogo que não quer queimar a vassoura que não quer bater no cachorro que não quer morder o Joarez que pegou o meu pacote de amendoim." 

  E não é que no fim, o menino conseguiu de volta o seu pacote de amendoim?! Acho que eu já teria desistido, mas é por isso que existem contos de fadas. Será que a fantasia alimenta esperanças? O que seria da vida sem as histórias? Ah, deixe-me perguntar para quem irá contar as respostas com uma história. Ana Marize Solino, a contadora de histórias que foi parar no mundo dos contos por um castigo. Ana era professora e a diretora da escola achava que ela não tinha pulso com os alunos, até que ela foi parar na sala de leitura da biblioteca. Neste lugar ela continuou o que fazia desde cedo. 
  Os seus contos são tão divertidos que fomos abordadas no meio da entrevista por uma mãe que dizia para a sua filha escutar aquilo. Ela também me presenteou com o filme que produziu: "Conta que eu conto", que termina com o grande conto que Fidência espalhou. Se encante com as histórias repleta de vozes que ela faz, mas se você é fã de chapeuzinho vermelho, não peça para ela te contar a verdadeira história. Charles Perrault é um pouco assustador.
 Conheça agora a história de uma contadora de histórias!


Como você iniciou a carreira de contadora de histórias?
Ana Marize: Em 1994, eu fui para um congresso de leitura chamado ‘Coli’ na Unicamp. Fui com mais duas amigas e nós nos separamos, cada uma iria participar de uma determinada oficina e eu fui fazer a oficina de redação porque como sou formada em letras eu achei que fosse bacana participar dessa oficina. Quando foi a noite, uma amiga me disse que estava participando de uma oficina sobre os contadores de histórias e era maravilhosa. Naquela época, eu trabalhava na sala de leitura em uma escola de 1º à 4º série porque a diretora achava que eu não tinha pulso com os meninos e a sala na biblioteca seria um castigo. Mas foi onde eu me descobri, ela não sabia que estava direcionando a minha carreira. Ás vezes as pessoas querem te dar um castigo, mas acabam fazendo você ir ao encontro do teu destino.
  E então, eu consegui ir para esse congresso através de pessoas que eu tinha feito amizade. Quando a minha amiga falou sobre esse trabalho dos contadores de história, eu disse: Não sei bem o que é isso, mas vamos lá. Quando eu cheguei no lugar e vi o trabalho deles, era um grupo de professores universitários da universidade Federal de Goiás que existe até hoje. È o grupo Guaía, de Goiânia. Eles são contadores de histórias e alunos do grupo MorandoBetar, um dos primeiros grupos de contadores de histórias do Rio de Janeiro. E um dos seus participantes antigos era o Celso Cisto. Quando eu vi este trabalho eu pensei que era o que eu já fazia, porque eu queria fazer as crianças gostarem de ler. Eu sempre amei a leitura, com 12 anos eu lia crônicas na biblioteca quando acabava minha aula, e sem querer eu já tinha o principio de contadora de histórias. Eu gostava da história e começava a ler para os meus colegas, e de tanto eu ler acabava memorizando.
  Por isso que em contação de histórias, diz que decorar vem do latim de cuore, de coração. Acabo pegando o texto de coração. E vendo aquele trabalho deles, eu pensei: eu quero fazer isso. Participei da oficina e não queria mais saber do meu curso de redação, imagina...Redação para vestibular, quero nem saber o que é isso! (risos)

Você costumava contar histórias desde a infância ou foi desenvolvendo ao longo do tempo?
Ana Marize: A gente sempre é o que a gente é. Só vamos aprimorando se encontrarmos as pessoas certas para nos ajudarem no caminho, como dizem nos contos de fadas e nos contos maravilhosos, sempre temos que ter um auxílio. Um doador mágico: aquele que vai te ajudar a seguir o seu caminho, e se você encontrar essa pessoa você irá de encontro ao seu destino. Minha família é do Maranhão, eu me lembro que na minha casa todos chegavam com uma história daquelas que quando íamos contar fazíamos a voz da pessoa. Minha tia falava: “pois é! Porque eu fui num sei onde e a mulher com aquela voz de preguiçosa: é a-ssi-m mês-mo” (risos) eu tenho um problema muito sério, não me conte nada que você não queira que eu veja porque se você me contar eu vou ver a cena. E na minha família, era eu quem contava histórias.

Qual foi o seu primeiro contato com a literatura?
Ana Marize: Minha primeira paixão foi Monteiro Lobato, aos 10 anos de idade ganhei a coleção do sitio do pica-pau amarelo. Eu amo contar as histórias da tia Anastácia, contava também a história do bicho manjaleú para os meus primos. Já aconteceu de irmos ao acampamento e as crianças adormecerem com as minhas histórias e quando elas acordavam, me perguntavam: “o que aconteceu com a princesa? O que aconteceu?” (Ana faz um tom de desespero na voz).

Você busca inspiração em algum conto ou personagem para contar as suas histórias?
Ana Marize: Sim, eu gosto muito de contos populares. Quando eu conto uma história autoral eu me sinto na obrigação de decorar virgula por virgula do que o autor escreveu para respeitar o texto. E como o conto popular vai se modificando ao longo do tempo, começa de um jeito e termina de outro, você pode acrescentar alguma coisa que ache interessante.

Quais foram os seus primeiros trabalhos?
Ana Marize: O destino trouxe do Rio de Janeiro para Brasília, a professora Teresa Maria, antiga na área. Ela hoje está com 75 anos e em 1995, fui fazer um curso com ela e com um grupo chamado Confabulando. Teresa Maria viu o meu potencial e de mais dois amigos, então nós acabamos formando um grupo com o nome Imaginários. Com esse grupo e Já com duas oficinas, eu entendi que eu estava sendo contadora de histórias. Comecei à me apresentar em escolas e feiras de livros infantis no Park Shopping, contei histórias para as paulinas e também contei histórias em aniversários de criança. Mas foram devido aos jornalistas que tinham uma mente mais aberta, e acharam que era melhor que palhaços e competições nas festas dos seus filhos! (risos)

Como é o processo de contar histórias?
Ana Marize: Em primeiro lugar, eu tenho que gostar da história. Porque se eu não gostar, eu não vou saber contar essa história direito. Pela profissão de professor, dar para ler uma determinada história com expressividade e emoção. Mas para contar bem, você tem que gostar e se identificar com a história. O processo de contar histórias está intimamente ligado ao namoro. Quando você namora, primeiro você gosta e depois começa à falar de ser amado para outra pessoa. “Ai! Você viu as covinhas, o narizinho e o cabelinho jogadinho ?”. Depois de gostar e falar dessa história para as pessoas,  segue para o processo de conhecimento da história. Este conhecimento tanto pode uma ser a memorização ou até ler a história, não há problema, mas você tem que saber o que está lendo. Não posso simplesmente pegar um livro e ler, porque eu não vou saber o que vai acontecer na página seguinte.

Esse processo é uma dinâmica com a forma que se conta a história?
Ana Marize: Sim, é importante olhar nos olhos de quem se conta a história e trabalhar a expressão do corpo e Voz. Os gestos têm de ser condizentes com a história, não pode ser algo muito espalhafatoso. Neste final de semana no dia 20 de março, fui em uma comemoração dos contadores de histórias e vi de tudo. Há inúmeras propostas, na escola que aprendi a estrela tem que ser a história. Para mim, um contador de histórias que vai muito enfeitado eu começo à prestar atenção nele e não no que ele está falando. Eu uso objetos, porém eu não me fantasio. Mas também não condeno, tem gente que se sente mais confortável fazendo um personagem para contar histórias; é a linha que a pessoa resolveu adotar.

Qualquer um pode contar histórias ou deve ter o dom para isso?
Ana Marize: Todo mundo é contador de histórias, o filho conta a história de como foi o seu dia para os pais. As histórias estão acontecendo o tempo inteiro ao nosso redor. Qualquer um pode? À principio sim. Mas a pessoa quer e está disposta a fazer o que a profissão pede?

Você acha importante os pais lerem histórias para as crianças?
Ana Marize: Sim, acho importantíssimo os pais contarem e lerem as histórias. Mas acho fundamental, por uma questão de ética até para a criança procurar depois, os país mostrarem de onde veio a história.  Se é um conto popular que você fez uma pesquisa nas narrativas orais, se pegou de Camera Cascudo, Silvio Romero ou até dos folcloristas atuais como Ricardo Azevedo e Angela Lago. Porque se você não mostra de onde veio a tua fonte, vai fugir do objetivo de todo contador de histórias: promover a leitura. Eu quero que a criança ou o adulto que ouça a minha história saiba de onde eu tirei e se ele sentir vontade de ouvir esta história novamente, ele vai saber onde encontrar.

Essa arte de contar histórias desenvolve adultos melhores?
Ana Marize: Sim, sem sombra de dúvidas; Há necessidade de se trabalhar com a fantasia. Fiz uma postagem em meu Blog sobre a série chamada Drop dead diva, falei sobre a ligação com os contos de fadas e cito sobre o Bruno BettelHeim, ele escreveu um livro quase de cabeceira para qualquer contador de histórias que se chama a psicanálise dos contos de fadas. Ele fala da importância da criança ouvir histórias para a formação do seu caráter e personalidade. BettelHeim cita um acontecimento verídico de uma mãe de tanto brigar com a criança, esta começa à achar que foi adotada e que sua suposta mãe verdadeira e boazinha irá resgata-la daquele lugar ruim. Tal qual muitas princesas também pensam que estão aprisionadas, em uma forma de sapo ou enfeitiçadas. Se a gente não vivência a fantasia no momento certo, haverá outros escapes na adolescência; como drogas e desvio de conduta. 
http://emilices.blogspot.com.br/



domingo, 10 de maio de 2015

Por que ler poesia?


   A agencia EFE publicou uma pesquisa evidenciando que ler poesia é mais útil para o cérebro do que os livros de auto-ajuda. Especialistas em literatura inglesa, ciência e psicologia monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários ao ler poesias de autores clássicos como Shakespeare, T.S Eliot e Wordsworth. E o resultado antecipado dessa pesquisa foi publicado pelo jornal britânico "Daily Telegraph", relatando que a atividade cerebral "dispara" quando encontram a estrutura semântica complexa e palavras incomuns que encontramos na poesia, algo que não acontecia quando a leitura se dava em uma linguagem cotidiana e coloquial. 

  O professor encarregado de apresentar este estudo concluiu que a poesia não é um mero estilo, "a descrição de experiências profundas acrescentam elementos biográficos e emocionais ao conhecimento cognitivo das lembranças" disse ele. Pois bem, esse estudo é mais uma comprovação do que já sentíamos ao ler cada palavra unida em uma estrutura conhecida como poesia. Absolutamente, não é uma experiência qualquer. Portanto, reuni poemas para a vida e perceba você o disparo no lado direito do seu cérebro (brincadeira), só sinta. 

 Correr da vida
Guimarães Rosa

"O correr da vida embrulha tudo. 
A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e daí afrouxa,
 sossega e depois desinquieta.
 O que ela quer da gente é coragem..."


 A minha felicidade
Friedrich Nietzsche

"Depois de estar cansado de procurar 
Aprendi a encontrar. 
Depois de um vento me ter feito frente 
Navego com todos os ventos."

 Bilhete
Mario Quintana

"Se tu me amas, ama-me baixinho 
Não o grites de cima dos telhados
 Deixa em paz os passarinhos
 Deixa em paz a mim! 
Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho
Amada, que a vida é breve
 e o amor mais breve ainda..."

 Dezembro
Carlos Drummond de Andrade

"Quem me acode
à cabeça e ao coração
neste fim de ano,
entre alegria e dor?

Que sonho,
que mistério,
que oração?"

Amor."

 Humanos
Vinicius de Moraes

"Para isso fomos feitos
Para lembrar e ser lembrados 
Para chorar e fazer chorar 
Para enterrar os nossos mortos 
Por isso temos braços longos para os adeuses 
Mãos para colher o que foi dado 
Dedos para cavar a terra."

 Eu amo tudo
Fernando Pessoa

"Eu amo tudo o que foi 
Tudo o que já não é 
A dor que já me não dói 
A antiga e errônea  
O ontem que a dor deixou, 
O que deixou alegria 
Só porque foi, e voou
 E hoje é já outro dia."

 Da Observação
Mário Quintana

"Não te irrites, por mais que te fizerem... 
Estuda, a frio, o coração alheio. 
Farás, assim, do mal que eles te querem, 
Teu mais amável e sutil recreio..."

 Que eu me lembre
Clarice Lispector

"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. 
Sou irritável e firo facilmente. 
Também sou muito calmo e perdoo logo.
 Não esqueço nunca. 
Mas há poucas coisas de que eu me lembre."

 Das utopias
Mario Quintana

"Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas!"



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