
O meu dia foi quase igual aos outros: Verões acrescidos de um frio que só Brasília entende. Eu já estava vendo toda a apresentação da garota do tempo no jornal e pedindo para que ao menos no dia do Gari, faça Sol. Por uma conclusão: sorvete. È, a minha festinha era de sorvete com algumas pipocas. Não me venha com um sermão de que já sou adulta, adoro sorvete. Quem não gosta de sorvete de chiclete? Mas para a alegria de brasilienses acostumados à tirar e por casaco várias vezes por minuto, fez um sol que deu para repetir o sorvete durante o dia inteiro.
Apesar da minha maça mordida ter pifado no meio da roça, eu nem senti falta da 3g. Depois que vi os sorrisos conectados em um riso que não precisou nem de música ao vivo para não entediar, me esqueci de que havia uma boa quantidade de ligações dos amigos perdidos tentando encontrar aquela roça cheia de sorvete. O som era quase uma orquestra, alguns um pouco desafinados mas cheios de vida. Foi um dia vivo, fez-me pensar que eu não trocaria a prosa por uma mensagem enviada pelo celular, sei que quebra um galho danado, mas prefiro as vozes desafinadas. E não é que a minha vó sempre esteve certa, a tecnologia não cumpre o papel de olhar no olho e apertar firme na mão. Máquinas não podem substituir o olhar ao que está acontecendo ao redor de nós, a visão pode capturar tantas cenas bonitas que nem precisaria dos filtros do instagram. Vó, agora entendo porque a senhora quebrou o seu próprio celular por "acidente".