quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O meu olhar no campo


  Enquanto eu procurava um lugar confortável no mato para fotografar algumas cenas avistei um passarinho muito simpático. Na verdade, eram dois e deduzo que eram mãe e filho. O filhote estava muito feliz, suponho eu. Ele voava entre as asas do pássaro maior, que pairava entre os ares sem nenhum medo do vento os derrubarem. Fiquei parada observando e, naquele momento, desejei ter asas para os acompanhar. Logo, me esqueci de fotografá-los...

  Como dizia o poeta Manoel de Barros, o menino pegou o olhar do pássaro e a criança escutou a cor do passarinho. Quem dera, se por uma vez só, meus olhos voltassem à meninice. Esse era o desejo de Drummond, Quintana e Fernando Pessoa. Porém, sei que só no campo, os meus pés ficam descalços e a história das aves são mais importantes que as contrariedades da modernidade.












sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O mundo em um só lugar


  
O encontro poliglota reúne jovens e anciões para praticarem novos idiomas em Brasília

  Não precisa ser poliglota para frequentar os encontros em que pessoas de uma só nacionalidade se reúnem para praticar inglês, francês, alemão e até japonês na capital do país. Qualquer interessado em aprender uma nova língua pode chegar ao local e de repente, encontrar o hall do restaurante tomado por bandeiras trazidas pelos organizadores do encontro para sinalizar os idiomas que estão sendo falados. Há cerca de 30 conversadores bilíngues nos encontros marcados toda semana.

  A palavra “Curica” pode ser o nome dado ao papagaio com as cores do Brasil que voa pela Amazônia.  Mas é no Restaurante Don Curica da 115 Sul que brasileiros poliglotas, bilíngues e iniciantes se encontram nas sextas-feiras para conversar em outras línguas enquanto fazem novos amigos. Trocam informações de engenharia, aviação ou culinária e se der branco no vocabulário, alguém grita a resposta do outro lado da mesa.

  Matheus Valdes, 20, estudante, é frequentador dos encontros poliglotas durante as sextas-feiras no Don Curica desde que voltou de um intercâmbio pelo Brasília sem fronteiras no inicio deste ano. Passou um mês em Washington, Estados Unidos, e já estava sentindo falta de aprimorar o inglês quando terminou o curso de línguas. “Durante os encontros eu me sinto à vontade em falar em inglês, mesmo errando às vezes na parte gramatical, mas depois de uns 10 minutos de conversa eu já consigo perceber esses erros e tento corrigi-los. Também sempre tem alguém que corrige alguma pronúncia errada ou me ensina alguma palavra nova.” Ele conta que depois de ir pela primeira vez, já não perde mais nenhum encontro e acrescenta: “O interessante é que é aberto para qualquer pessoa, não tem distinção de nível, apenas de língua e se você quiser  ir, é possível praticar mais de uma língua em um só encontro, além de fazer novas amizades em um ambiente leve e descontraído.”

Poliglota na capital

  O clube poliglota chegou a Brasília em 2012 pelo casal Eloy Oliveira e Maíra Machado, depois de terem conhecido a ideia do clube em uma viagem ao Chile por três meses pela organização virtual CouchSurfing. Quando os dois voltaram pro Brasil, o pai da Maíra abriu um Café que ficava na 108 Norte, era uma oportunidade certeira para realizar encontros poliglotas na região. Maíra conta que o clube foi crescendo aos poucos e aderindo anfitriãos. Depois que o café fechou, o clube não acabou e desde então, foi se espalhando além do eixão. Antes, só acontecia aos domingos na Asa Norte. Mas hoje, as reuniões acontecem toda semana em Águas Claras, Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste. Aos sábados, o grupo é itinerante.

  A Larissa Amaro, que é uma das organizadoras do encontro há cerca de 1 ano, conta que através do site MeetUp e CouchSurfing, as pessoas vão aparecendo nos encontros. “O mínimo é de 10 pessoas que aparecem nos encontros, tem vezes que aparecem menos pessoas na época que o pessoal viaja ou quando está chovendo, mas sempre tem gente pra conversar”, conta Larissa, 30, servidora pública. O MeetUp é uma plataforma que além de fornecer encontros para praticar outras línguas, também tem encontros de culinária, treinar para maratonas, criar apps e até escalar montanhas. O Couchsurfing, além de oferecer encontros, seus usuários marcam viagens.

  O encontro poliglota acontece semanalmente. Nas segundas-feiras, o restaurante Laap Costumbres Argentinas de Águas Claras recebe conversações em inglês, francês, espanhol, holandês, italiano e libras. Quarta-feira, o evento é no mesmo horário no Intregalle Pizza Bar da Asa Norte, em que os organizadores falam inglês, francês e espanhol, mas se tiver duas ou mais pessoas querendo falar outra língua, o grupo está sempre aberto para um bate-papo estrangeiro. Quinta-feira, o japonês é acrescentado ao grupo no Restaurante Ready Beef na 303 do Sudoeste. Nos sábados, o local e horário da reunião mudam a cada semana, sendo divulgado logo na segunda-feira na página do Facebook @PolyglotClubBrasilia.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O parque vazio

   
Cheguei no trabalho com os joelhos cheios de terra e com a sensação de que eu estivesse fora do campo gravitacional. Isso por causa de alguns minutos andando de bicicleta. Não é todos os dias da semana que tenho um tempinho desse, e quando a aula terminou mais cedo, até demorei para pensar no que eu poderia fazer. Brasília uniu seus Ipês pendurados sob o tempo seco e um calor que bate 32 graus, mas nada mal para um dia no parque da cidade.

Destravamos as bicicletas alaranjadas e começamos à perambular a calçada rumo ao parque Ana Lídia, lugar no qual perdi um anel de plástico, mas muito querido, e onde salvei meu irmão caçula do brinquedo mais alto. Ele havia desistido no meio do caminho sem andar pra frente e nem pra trás, então a solução foi arrastá-lo. Esse parque sempre foi o lazer preferido dos meus pais para passarmos a tarde, e além das memórias, é cheio de pipoca e algodão doce - que claro, é para a alegria deles.

Nesse dia, estava com a minha "copilota" de óculos azul e sorriso estampado até nas segundas-feiras e meu colega de curso que não fala francês, mas tem um requinte impressionante. Estávamos nós, talvez parados em memórias antigas, quando - até então - não tínhamos entendido o por quê de uma aglomeração de pessoas olhando para suas próprias mãos.

Eram mais de cinquenta pessoas perto do brinquedo "aranha", que toda criança brasiliense um dia caiu de lá. Crianças, adultos de havaianas ou de gravata e alguns adolescentes escandalosos estavam andando em passos lentos com os olhos fixos na tela de seus smartphones.

Estávamos perplexos com o que víamos e, naquele momento, foi desconcertante imaginar que um dia éramos crianças como aquelas. Mas não tínhamos a camisa limpa ou ficávamos sem fazer amiguinhos novos no escorregador.

Os brinquedos que fizeram nossa diversão naquele tempo, hoje, estão vazios. O amigo novo que a gente apresentava para os nossos pais foi substituído por criaturas virtuais de um jogo qualquer.

Devolvemos as bicicletas e nos despedimos. Cheguei no trabalho e pensei: ainda bem que meus joelhos estão sujos de terra.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Continuação de uma história


Hoje, 24 de junho de 2016, faz um ano que meu amigo se foi. 

Ainda é estranho estacionar o carro na garagem e ver que sua casa está trancada e com as luzes apagadas. O risco na parede ainda está intacto do dia em que você encostou a caminhonete no muro. Mas é porque eu também fiz isso. 

Eu não me acostumo em ter que andar pela chácara vendo sua cadeira de madeira vazia e empoeirada. Ninguém senta nela porque só você sabia como ocupá-la, cruzando as pernas com o mesmo tênis cinza de que eu me lembro desde pequena. Você iria sorrir se soubesse que o Mário, seu neto e meu irmão, usa esse tênis na escola.

O cachorro anda tão esquisito, vovô. O primeiro vira-lata da geração, que te seguia para todos os lados, morreu. Ele deixou um filhote que também se foi e hoje resta apenas o neto - que tem o mesmo nome dos outros cachorros. O peteleco está tão magro e só o vejo vagando sozinho por aí. Entendo o porquê de ele não querer comer mais... era você que dava ração todos os dias para esse cachorrinho sem vergonha.

Sobre o joão-de-barro, faz tempo que ele não constrói ninho na varanda de casa. Também não vejo mais aquele passarinho amarelo, que toda vez que ele voava, você o mirava com estes teus olhos cansados, mas ainda brilhantes.

Papai vendeu o Atos porque ele estava muito solitário. Eu lembro de quando você me ensinava a cavalgar o cavalo que era seu, era meu. Era nosso.

Não tivemos muito tempo depois do dia em que escrevi meus garranchos para ti, mas nossa última troca de olhares foi o bastante. Naquele dia, eu te entreguei um bolo de milho e você me enxergou ainda pequenina, de cabelos em pé e sorriso banguela. E eu também recordava os momentos em que sua risada ecoava em minha infância.

Vovô Mário, o som singular de sua risada, que estremecia os eucaliptos que você plantava, está guardado em minha memória. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um pé de mexerica

Virando na curva onde o vento parou,  encontrei um casal de velhinhos segurando uma mala pequena.Observei que a mulher pedia carona para os carros que os cruzavam, mas ninguém os dava atenção.

O vento parou sob o meu rosto e o coração me fez pisar no freio. Eu os convidei para entrar, dizendo onde eu morava e a senhora logo retribuiu um sorriso por ser praticamente minha vizinha. 

Conversa vai e vem, e o assunto não sai de um senhor que morava na ultima chácara da rua. Tentei recordar quem poderia ser este homem admirado pelo casal.

Ele vendia leite e espalhava mexericas pela vizinhança. Um homem bom, que a senhorinha não hesitava em sorrir outra vez ao lembrar dos tempos que ela e seu "veio" saíam juntos atrás do leite das vacas do seu Mário.  

Parei por um minuto e completei: eu sou neta dele. 

Deixei o casal em casa e saí pelo caminho estreito de terra que separava a nossa residência. Por coincidência, era o caminho no qual eu e o "seu Mário" saíamos para cavalgar. Me lembrei da ultima vez em que eu estive aqui, com o Atos e meu avô, descascando mexericas.

São simples coisas na vida e esse pé de tangerina está crescendo a cada dia, vovô.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um abraço e meio

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Hoje eu chorei. E de um abraço aos prantos vi papai no canto da mesa segurando para não chorar. Essa foi uma das cenas mais lindas que já vivi. Meu pai sentou na ponta da mesa com uma cara de quem vai brigar conosco. Isso já tinha acontecido antes quando eu e meu irmão do meio brigávamos por coisas banais... Logo nos víamos à brincar juntos outra vez.

Mas dessa vez, mesmo eu com vinte primaveras e ele, alguns meses mais novo que eu, brigamos outra vez por uma coisa banal, que travou o peito atravessando o coração e partindo-o ao meio. Brigamos por não ter nos abraçado já tem um tempo desde que mamãe obrigava-nos a se abraçar e parar de brigar.

É meu irmão, o nosso abraço está enferrujado.

Choramos juntos. Fazia tempo que minha lágrima caia no canto de sua camisa. A última vez eu nem me lembro... Faz tempo que nossos braços se cruzam em tom de alento. És meu pequeno, mesmo sendo maior que eu.

Papai chorou vendo a gente se abraçar. Coçou o olho rapidinho, mas eu sei que chorou...

segunda-feira, 28 de março de 2016

O mal da corrupção

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O Brasil é a sétima maior economia do mundo e tem uma forte produção de minerais, agrícolas e manufaturados que exportam às duas potências mundiais - EUA e China.  Este país que já nasceu em berço de corrupção pela soberania colonizadora que direcionou a escravidão, o Brasil é o retrato de uma economia que é fragilizada por erros administrativos e políticos.

  O Brasil possui um PIB de US$ 1,53 trilhão e o salário mínimo nacional do cidadão brasileiro é de apenas US$ 228 (R$880), enquanto que, no Canadá o salário está entre 10 e 12 doláres canadenses por hora – um Canadense que trabalha 6h por dia ganha por volta de dois mil dólares. A diferença do produto interno bruto entre estes dois países não é gritante, este último possui US$ 1,78 trilhão. Mas as importações do Canadá são maiores que as exportações comparadas ao Brasil. O Brasil exporta muito mais do que importa e isto significa que há uma abundância de recursos naturais – algo que não foi presenteado à America do norte.

  Uma notícia popular correu entre os brasileiros nos últimos dias com o nome do Nióbio – um metal é aplicado em industrias de tecnologia de ponta, um setor próspero no Canadá, mas este país possui uma reserva de apenas 1%. Enquanto que no Brasil, há 98%. A CBMM que age em grande parte do Nióbio no Brasil movimenta mais de bilhões em exportações e vendeu 15% da empresa por 4 bilhões para a China e a Coréia em 2011.

  O Canadá movimenta US$474,255 bilhões nas exportações e o Brasil US$191,1 bilhões com uma queda de 14% em relação ao ano anterior.  Um país que possui recursos para sair da zona de um país emergente, se torna um paradoxo em referência aos países desenvolvidos.

  A Vale é o segundo principal setor financeiro no Brasil, logo depois da Petrobras, e os resíduos da barragem que se rompeu este ano resultaram como na quebra de renda de pescadores locais como para toda a economia. A ONU divugou um relatório no dia 22 de março que a falta de água prejudica a economia no âmbito de que a qualidade da água é uma questão essencial, pois mais pessoas morrem por contato com água contaminada do que a soma de todas as formas de violência.

  Os escândalos de corrupção na Petrobras causaram uma devida instabilidade à economia do país e continuamente vem sido abalada com as investigações da Lava-jato, manifestações de esquerda e direita e ainda os discursos da Presidente que sustentam um cenário de golpe. E Para completar, O Brasil foi rebaixado como um “mal pagador” pelo acúmulo da divida externa. A política caminha junto com a economia e com este governo sendo manchado pela corrupção, não adianta os inúmeros recursos naturais de reservas brasileiras se não estão sendo direcionados ao acréscimo econômico e beneficio da população. Certamente, o destino da economia do país está cada vez mais incerto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Conheça as ilustrações da mexicana Andrea Vaquero


Andrea vem do grego e significa mulher de poder. Eu conheci uma Andrea assim e que também me fez mudar a concepção de "poder". Por vezes, quando pensamos em um ser humano forte ou poderoso, imaginamos alguém que não seja tão sentimental e a Andrea é sentimento em pessoa. Uma amiga na qual chorando ou sorrindo, nunca perdeu o poder de colecionar sentimentos, em si e nos outros, em qualquer lugar que ela estiver. Todo este poder foi transferido em cores e traços, e deste modo, compartilho as ilustrações de Andrea Vaquero, residente da cidade do México.

The greek name Andrea means Powerful woman. I met an Andrea like that and she made me rethink about what the word power means. When I think about someone who is powerful, I try to wonder a kind of person who is not emotional at all. But Andrea is the feeling in person (softy) and this is how to be a powerful human being. Is a friend that crying or laughing, she never stopped to collect feelings in herself or to other people wherever she was in. All this power was transfered to the paper and I'd like to share with you the illustrations by Andrea Vaquero, from Mexico City. 

 "Bruno mi perro"

"Jirafa bebe"

 "Elefante Bebe"

"Smaug"

"Príncipe Caspian"

"Rihanna"

"Hermione Granger"

"Anne Hathaway"

"La mejor mujer - mi mama"




Eu e Andrea V.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Por uma educação que sane os problemas sociais

 
(A Finlândia fica em primeiro lugar, Canadá em décimo e a Indonésia por último, logo depois do Brasil)

  Não ouso fazer comparações entre o Brasil e o exterior, isto seria uma tamanha injustiça começando pela história da colonização do Brasil, sendo este descoberto em 1500, mas só devidamente "entrado" ao mapa trinta anos depois por receio de que os portugueses perdessem a eficaz mão-de-obra indígena na exploração do pau brasil para os holandeses, ingleses ou franceses. O processo de escolarização básica também veio muitos anos depois, apenas em meados do século XX. A rede pública? só no inicio dos anos 80.

  Tudo bem, isso está na história... Mas o que intriga à qualquer cidadão que se vê obrigado à situação eleitoral, sabe bem o que é viver na era do feudalismo mas com algumas pequenas exceções. Passamos pelo pedágio à caminho do manso senhorial, mas somos indevidamente cobrados pela passagem (ou o alto preço da gasolina) e tampouco protegidos de ataques bárbaros - Não há segurança enquanto a inflação sobe e o salário mínimo não acompanha, sendo que a desigualdade social é um dos grandes motivos da violência. Então, aonde está a solução de tantos problemas sociais?

 Enquanto estive estudando no exterior, a segurança foi o que mais me impressionou em rumo às aulas de inglês. Quando o sol já estava de partida e a rua mais escura, me tomava por um medo de que acontecesse alguma coisa ruim comigo. Mas logo fui me acostumando à vida mansa do lugar com os jornais retratando notícias de anos atrás.Voltando ao meu país, me vi em uma profunda tristeza (que me fez ser dramática no primeiro parágrafo) por este país de tantas riquezas naturais e ainda estar mendigando por educação, saúde e segurança ou um pouco mais de justiça.

 Poderia citar o Nióbio - não é a deusa grega mas tão fértil quanto ela e depois do século XX começaram à aplica-lo em industrias de tecnologia de ponta. Porém, é um metal raro e o único país no mundo que detém a maior reserva deste mineral é o Brasil (98%, e o Canadá com 1%). Movimenta mais de bilhões em exportações e em 2011, a China e a Coreia pagaram quatro bilhões por 30% da empresa que age em 80% do Niobio no Brasil - a CBMM. Mas porque tanto dinheiro não é convertido aos problemas em que a população se submete todos os dias?

  Uma vez, na sala de aula, nos perguntaram assim: O que o ladrão roubaria de você? alguns pensaram no Iphone 6 que pagou em doze vezes, o veículo em que os "salva" do transporte público todos os dias e alguns itens em que o modesto salário de um estagiário pode comprar. "Há algo muito valioso dentro de ti e o seu conhecimento ninguém pode lhe tirar. Caso roubem o que você conquistou, com conhecimento, você constrói tudo de novo." Essa frase nunca mais saiu da minha cabeça e me fez pensar em como a educação vem sendo abalada.

  Meus pais sempre pagaram escola particular com o comércio em que eles abriram no entorno da capital, doentes ou cansados, nunca os vi faltar um dia de trabalho ou até tirar férias de 30 dias. Fiz o enem e me deparei que o cursinho por fora que eu fazia depois das aulas me ajudaram em apenas metade do conteúdo daquela prova. Colegas em que foram morar na capital e puderam estudar em colégios mais caros, como o Galois ou Marista, conseguiram (ou tiveram mais facilidade) em passar pelo PAS e cursar na UnB. Claro que há exceções e acredito profundamente no ditado em que o aluno faz a escola, mas até quando o governo vai deixar de fazer melhores escolas... Uma lei recente (e lamentável) estava para ser aprovada, de que alunos com boa renda familiar deveriam pagar pelo menos a metade da mensalidade de universidades federais, pois foi constatado que há mais ricos em universidades públicas. É tampar o sol com a peneira.

  Como Suassuna dizia, o bom mesmo é sermos realistas esperançosos. Ainda acredito que um dia a prioridade seja a educação e que as outras necessidades públicas; como a saúde, infra-estrutura e segurança, sejam acrescentadas através da educação. Acredito que as futuras gerações tenham orgulho de estudar em uma escola pública. Que na rede pública, estes tenham uma devida base escolar para concluir o ensino superior e não sejam apenas profissionais com um certificado descartável. Mas com o conhecimento que vem acompanhado de bom senso e coração.

Eu acredito mesmo é nessa 
nossa geração.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

É só um conto de fadas?

Na literatura, cinema, ópera ou no ballet, a cinderela encanta desde os pequenos aos mais adultos. E ontem assisti a regravação do filme com Lily James e minha memória não hesitou em recordar os tantos replays que eu dava na fita VHS na infância. Fico imaginando como um sapatinho de cristal permeou o imaginário popular por anos e anos. A versão mais antiga de Cinderela é chinesa, escrita em meados de 860 a.c, porém a mais popular é de Perrault e os Irmãos Grimm - a história que a disney adaptou. 
Resultado de imagem para ilustrações cinderela tumblr  Embora a minha visão do conto de fadas tenha mudado ao longo dos anos, o sentimento pela obra é o mesmo. Não acredito que uma abóbora pode se transformar em uma carruagem guiada por um ganso maluco e uma lagartixa gulosa. Ou que sapatos de vidro são confortáveis e que príncipes encantados sejam perfeitos. Na verdade, para conseguir tudo isso há um grande esforço por trás e príncipes podem se transformar em sapos depois de alguns dias de convivência. Mas os contos de fadas deixam a humanidade menos sem graça.

 A gata borralheira, cinderela ou até as versões mais modernas da Disney me deram alguns ensinamentos que, ao longo da vida, vendo esta última versão com uma idade mais avançada, percebo a importância de algumas virtudes que o ser humano pode achar insignificantes.

 As injustiças vêm à tona, que nem os manifestos de filósofos puderam mudar. A Ella, que vivia no porão da própria casa, realizando serviços domésticos à madrasta que a maltratava, é uma versão literária do que se vê todos os dias nas esquinas e nos jornais. Mas quem podeira pagar o mal com o bem? Felizmente, a bondade não foi tomada de alguns poucos corações.

 E por fim, o final feliz existe sim. Pode ser agora, ou amanhã... É apenas o resultado de nossas ações.

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