Na literatura, cinema, ópera ou no ballet, a cinderela encanta desde os pequenos aos mais adultos. E ontem assisti a regravação do filme com Lily James e minha memória não hesitou em recordar os tantos replays que eu dava na fita VHS na infância. Fico imaginando como um sapatinho de cristal permeou o imaginário popular por anos e anos. A versão mais antiga de Cinderela é chinesa, escrita em meados de 860 a.c, porém a mais popular é de Perrault e os Irmãos Grimm - a história que a disney adaptou.
Embora a minha visão do conto de fadas tenha mudado ao longo dos anos, o sentimento pela obra é o mesmo. Não acredito que uma abóbora pode se transformar em uma carruagem guiada por um ganso maluco e uma lagartixa gulosa. Ou que sapatos de vidro são confortáveis e que príncipes encantados sejam perfeitos. Na verdade, para conseguir tudo isso há um grande esforço por trás e príncipes podem se transformar em sapos depois de alguns dias de convivência. Mas os contos de fadas deixam a humanidade menos sem graça.A gata borralheira, cinderela ou até as versões mais modernas da Disney me deram alguns ensinamentos que, ao longo da vida, vendo esta última versão com uma idade mais avançada, percebo a importância de algumas virtudes que o ser humano pode achar insignificantes.
As injustiças vêm à tona, que nem os manifestos de filósofos puderam mudar. A Ella, que vivia no porão da própria casa, realizando serviços domésticos à madrasta que a maltratava, é uma versão literária do que se vê todos os dias nas esquinas e nos jornais. Mas quem podeira pagar o mal com o bem? Felizmente, a bondade não foi tomada de alguns poucos corações.
E por fim, o final feliz existe sim. Pode ser agora, ou amanhã... É apenas o resultado de nossas ações.