sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Por uma educação que sane os problemas sociais

 
(A Finlândia fica em primeiro lugar, Canadá em décimo e a Indonésia por último, logo depois do Brasil)

  Não ouso fazer comparações entre o Brasil e o exterior, isto seria uma tamanha injustiça começando pela história da colonização do Brasil, sendo este descoberto em 1500, mas só devidamente "entrado" ao mapa trinta anos depois por receio de que os portugueses perdessem a eficaz mão-de-obra indígena na exploração do pau brasil para os holandeses, ingleses ou franceses. O processo de escolarização básica também veio muitos anos depois, apenas em meados do século XX. A rede pública? só no inicio dos anos 80.

  Tudo bem, isso está na história... Mas o que intriga à qualquer cidadão que se vê obrigado à situação eleitoral, sabe bem o que é viver na era do feudalismo mas com algumas pequenas exceções. Passamos pelo pedágio à caminho do manso senhorial, mas somos indevidamente cobrados pela passagem (ou o alto preço da gasolina) e tampouco protegidos de ataques bárbaros - Não há segurança enquanto a inflação sobe e o salário mínimo não acompanha, sendo que a desigualdade social é um dos grandes motivos da violência. Então, aonde está a solução de tantos problemas sociais?

 Enquanto estive estudando no exterior, a segurança foi o que mais me impressionou em rumo às aulas de inglês. Quando o sol já estava de partida e a rua mais escura, me tomava por um medo de que acontecesse alguma coisa ruim comigo. Mas logo fui me acostumando à vida mansa do lugar com os jornais retratando notícias de anos atrás.Voltando ao meu país, me vi em uma profunda tristeza (que me fez ser dramática no primeiro parágrafo) por este país de tantas riquezas naturais e ainda estar mendigando por educação, saúde e segurança ou um pouco mais de justiça.

 Poderia citar o Nióbio - não é a deusa grega mas tão fértil quanto ela e depois do século XX começaram à aplica-lo em industrias de tecnologia de ponta. Porém, é um metal raro e o único país no mundo que detém a maior reserva deste mineral é o Brasil (98%, e o Canadá com 1%). Movimenta mais de bilhões em exportações e em 2011, a China e a Coreia pagaram quatro bilhões por 30% da empresa que age em 80% do Niobio no Brasil - a CBMM. Mas porque tanto dinheiro não é convertido aos problemas em que a população se submete todos os dias?

  Uma vez, na sala de aula, nos perguntaram assim: O que o ladrão roubaria de você? alguns pensaram no Iphone 6 que pagou em doze vezes, o veículo em que os "salva" do transporte público todos os dias e alguns itens em que o modesto salário de um estagiário pode comprar. "Há algo muito valioso dentro de ti e o seu conhecimento ninguém pode lhe tirar. Caso roubem o que você conquistou, com conhecimento, você constrói tudo de novo." Essa frase nunca mais saiu da minha cabeça e me fez pensar em como a educação vem sendo abalada.

  Meus pais sempre pagaram escola particular com o comércio em que eles abriram no entorno da capital, doentes ou cansados, nunca os vi faltar um dia de trabalho ou até tirar férias de 30 dias. Fiz o enem e me deparei que o cursinho por fora que eu fazia depois das aulas me ajudaram em apenas metade do conteúdo daquela prova. Colegas em que foram morar na capital e puderam estudar em colégios mais caros, como o Galois ou Marista, conseguiram (ou tiveram mais facilidade) em passar pelo PAS e cursar na UnB. Claro que há exceções e acredito profundamente no ditado em que o aluno faz a escola, mas até quando o governo vai deixar de fazer melhores escolas... Uma lei recente (e lamentável) estava para ser aprovada, de que alunos com boa renda familiar deveriam pagar pelo menos a metade da mensalidade de universidades federais, pois foi constatado que há mais ricos em universidades públicas. É tampar o sol com a peneira.

  Como Suassuna dizia, o bom mesmo é sermos realistas esperançosos. Ainda acredito que um dia a prioridade seja a educação e que as outras necessidades públicas; como a saúde, infra-estrutura e segurança, sejam acrescentadas através da educação. Acredito que as futuras gerações tenham orgulho de estudar em uma escola pública. Que na rede pública, estes tenham uma devida base escolar para concluir o ensino superior e não sejam apenas profissionais com um certificado descartável. Mas com o conhecimento que vem acompanhado de bom senso e coração.

Eu acredito mesmo é nessa 
nossa geração.

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