
O encontro poliglota reúne jovens e anciões para praticarem novos idiomas em Brasília
Não precisa ser poliglota para frequentar os encontros em que pessoas de uma só nacionalidade se reúnem para praticar inglês, francês, alemão e até japonês na capital do país. Qualquer interessado em aprender uma nova língua pode chegar ao local e de repente, encontrar o hall do restaurante tomado por bandeiras trazidas pelos organizadores do encontro para sinalizar os idiomas que estão sendo falados. Há cerca de 30 conversadores bilíngues nos encontros marcados toda semana.
A palavra “Curica” pode ser o nome dado ao papagaio com as cores do Brasil que voa pela Amazônia. Mas é no Restaurante Don Curica da 115 Sul que brasileiros poliglotas, bilíngues e iniciantes se encontram nas sextas-feiras para conversar em outras línguas enquanto fazem novos amigos. Trocam informações de engenharia, aviação ou culinária e se der branco no vocabulário, alguém grita a resposta do outro lado da mesa.
Matheus Valdes, 20, estudante, é frequentador dos encontros poliglotas durante as sextas-feiras no Don Curica desde que voltou de um intercâmbio pelo Brasília sem fronteiras no inicio deste ano. Passou um mês em Washington, Estados Unidos, e já estava sentindo falta de aprimorar o inglês quando terminou o curso de línguas. “Durante os encontros eu me sinto à vontade em falar em inglês, mesmo errando às vezes na parte gramatical, mas depois de uns 10 minutos de conversa eu já consigo perceber esses erros e tento corrigi-los. Também sempre tem alguém que corrige alguma pronúncia errada ou me ensina alguma palavra nova.” Ele conta que depois de ir pela primeira vez, já não perde mais nenhum encontro e acrescenta: “O interessante é que é aberto para qualquer pessoa, não tem distinção de nível, apenas de língua e se você quiser ir, é possível praticar mais de uma língua em um só encontro, além de fazer novas amizades em um ambiente leve e descontraído.”
Poliglota na capital
O clube poliglota chegou a Brasília em 2012 pelo casal Eloy Oliveira e Maíra Machado, depois de terem conhecido a ideia do clube em uma viagem ao Chile por três meses pela organização virtual CouchSurfing. Quando os dois voltaram pro Brasil, o pai da Maíra abriu um Café que ficava na 108 Norte, era uma oportunidade certeira para realizar encontros poliglotas na região. Maíra conta que o clube foi crescendo aos poucos e aderindo anfitriãos. Depois que o café fechou, o clube não acabou e desde então, foi se espalhando além do eixão. Antes, só acontecia aos domingos na Asa Norte. Mas hoje, as reuniões acontecem toda semana em Águas Claras, Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste. Aos sábados, o grupo é itinerante.
A Larissa Amaro, que é uma das organizadoras do encontro há cerca de 1 ano, conta que através do site MeetUp e CouchSurfing, as pessoas vão aparecendo nos encontros. “O mínimo é de 10 pessoas que aparecem nos encontros, tem vezes que aparecem menos pessoas na época que o pessoal viaja ou quando está chovendo, mas sempre tem gente pra conversar”, conta Larissa, 30, servidora pública. O MeetUp é uma plataforma que além de fornecer encontros para praticar outras línguas, também tem encontros de culinária, treinar para maratonas, criar apps e até escalar montanhas. O Couchsurfing, além de oferecer encontros, seus usuários marcam viagens.
O encontro poliglota acontece semanalmente. Nas segundas-feiras, o restaurante Laap Costumbres Argentinas de Águas Claras recebe conversações em inglês, francês, espanhol, holandês, italiano e libras. Quarta-feira, o evento é no mesmo horário no Intregalle Pizza Bar da Asa Norte, em que os organizadores falam inglês, francês e espanhol, mas se tiver duas ou mais pessoas querendo falar outra língua, o grupo está sempre aberto para um bate-papo estrangeiro. Quinta-feira, o japonês é acrescentado ao grupo no Restaurante Ready Beef na 303 do Sudoeste. Nos sábados, o local e horário da reunião mudam a cada semana, sendo divulgado logo na segunda-feira na página do Facebook @PolyglotClubBrasilia.