terça-feira, 2 de junho de 2015

Roça


Eu gosto de carro velho. 
De fotografar folhas caídas no chão, 
do que as árvores erguidas sobre a terra. 
Gosto do som da chuva que embaça o vidro do carro, 
de dedos que tentam enxugá-los. 
Fotografo o lugar onde moro, 
tão afastado de todos onde há tudo. 
Mas não trocaria o horizonte do cerrado. 
Gosto mais do som de pássaros
do que a música que os homens inventaram. 
Minha câmera mira na casa do joão-de-barro.
 Eu gosto do som que o vento faz, 
mais assustador que qualquer filme de terror. 
Esqueço a câmera quando vejo uma estrela no céu, 
talvez seja essa a intenção delas.
Nunca serem gravadas. 
Para que, no outro dia, 
não queiramos vê-las pela tevê,
mas na moda antiga,
ao vivo.

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