Eu gosto de carro velho.
De fotografar folhas caídas no chão,
do que as árvores erguidas sobre a terra.
Gosto do som da chuva que embaça o vidro do carro,
de dedos que tentam enxugá-los.
Fotografo o lugar onde moro,
tão afastado de todos onde há tudo.
Mas não trocaria o horizonte do cerrado.
Gosto mais do som de pássaros
do que a música que os homens inventaram.
Minha câmera mira na casa do joão-de-barro.
Eu gosto do som que o vento faz,
mais assustador que qualquer filme de terror.
Esqueço a câmera quando vejo uma estrela no céu,
talvez seja essa a intenção delas.
Nunca serem gravadas.
Para que, no outro dia,
não queiramos vê-las pela tevê,
mas na moda antiga,
ao vivo.
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