sábado, 23 de novembro de 2019
Soneto I
Guardei o bloco na gaveta.
Seu parceiro, a caneta, está solitária no canto da mesa.
Isso, porque a flor murchou, o pássaro se calou
e as palavras foram esquecidas.
A nuvem se esgotou por eu não me molhar na chuva,
O trem não mais passou para me trazer nostalgia.
Isso, porque guardei o bloco na gaveta
e as palavras foram esquecidas.
A vida e a escrita cruzam a mesma avenida,
ou Quintana não estaria tão vivo
sendo o poeta das coisas simples.
Poesia é vida e ela não teria sentido
sem o zumbido do vento em meu ouvido
e o eco desesperador de um bloco na gaveta.
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