Foto: Alan Rios
O Mansplaining é o hábito de os homens interromperem as mulheres para explicar assuntos que, no julgo machista, não fazem parte do "universo feminino". Uma cena assim ganhou os holofotes quando Galvão Bueno, comentarista de futebol, tentou explicar para a jornalista Sandra Annenberg que não se pode tocar na taça da copa do mundo sem luvas. Em tom paternalista, ele questionou se Sandra já foi campeã do mundo jogando futebol ou presidente da FIFA para tocar na taça. Ela replicou, sarcasticamente, que sabe do protocolo.
Não é só quando o assunto é futebol que o mansplaining, junção das palavras no inglês Man (homem) e Explain (explicar), pode ocorrer. Quando se fala em carros, é ainda mais comum mulheres sendo interrompidas para ouvir explicações desnecessárias. Abaixo, conto a história da aluna de Engenharia Automotiva pela Universidade de Brasília (UnB), Brenda Kennedy. Ela é a unica mulher na equipe de 30 pessoas que projeta um carro elétrico para competir no torneio "Fórmula SAE". Confira!
No anuário estatístico de Engenharia Automotiva da Universidade de Brasília (UnB), mais de 300 mulheres ingressaram no curso ao longo dos dez anos de história. Mas o número ainda é baixo, se comparado aos alunos do sexo oposto - apenas 11% são mulheres em um corpo discente de na maioria homens.
Uma das alunas do sexo feminino, a estudante Brenda Kennedy, de 19 anos, conta que decidiu cursar engenharia automotiva quando ouviu sobre o primeiro protótipo de um carro nas aulas de física no ensino médio. Ela conta, com brilho nos olhos: "Depois de tantas inovações, o motor de um veículo tem o mesmo princípio de funcionamento do protótipo precursor, que não por acaso, tem a participação de uma figura feminina – Bertha Benz."
Brenda e mais 30 colegas do sexo oposto projetam um carro elétrico para a 14º competição Nacional da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE). Nos três dias de prova, em São Paulo, os carros serão avaliados através de apresentações de marketing e financiamento, além da análise mecânica do veículo. As esquipes com maior pontuação vão representar o Brasil em duas competições internacionais nos EUA. Brenda, a única mulher entre os colegas, está empenhada no projeto do motor do veículo que vai competir em novembro deste ano. “Quando fui fazer a entrevista para entrar na equipe de powertrain, o capitão me perguntou a quantidade de peças em um carro. Eu não fazia a mínima ideia disso, mas eu disse a ele todas as outras coisas que eu sabia. Ele ficou surpreso e eu entrei para o time.”, conta Brenda.
Brenda não só trabalha na construção do carro que vai competir na SAE, como também faz parte da empresa júnior "Engrena" na Universidade de Brasília (UnB), onde voluntários fornecem projetos automotivos a pequenas empresas no Distrito Federal. A equipe é composta por 23 homens e duas mulheres que não passam desapercebidas. Karla Pereira, 20 anos, diretora da Engrena, aprendeu mecânica desde cedo com o pai caminhoneiro. “Para mim foi uma grande conquista me tornar diretora e mostrar que as mulheres também conseguem trabalhar bem nessa área”, afirma.
Machismo
Há mais de 3 mil quilômetros de Brasília, em Manaus, a recém-formada Cherolee Ramos, de 23 anos, conta que entrou no curso de Engenharia Mecânica pela paixão por automóveis. Ela conta que, ao procurar emprego, foi rejeitada por uma multinacional pelo fato de ser mulher. A empresa afirmou que apenas homens trabalham no setor e que “uma mulher não aguentaria a pressão”.
Cherolee afirma que sofreu diversos embates quando decidiu cursar um curso de maioria estudantes homens. “Meu pai não gostou muito por ser uma área masculina, ter poucas oportunidades para mulher e por ser considerado um curso difícil. Mas acabou aceitando”, conta. Ela administra o blog “Mulheres na Engenharia”, que reúne apaixonadas por carros de várias regiões do país em um grupo no WhatsApp. Por intermédio do grupo, as mulheres decidem a pauta das postagens no blog e marcam encontros. O blog divulga oportunidades de emprego, apostilas e histórias de mulheres que marcaram o mundo da engenharia.
Leia uma história que deu o que falar:

SERVIÇO:
Fórmula SAE
Blog da Cherolee: Mulheres na Engenharia

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Fórmula SAE
Blog da Cherolee: Mulheres na Engenharia
